Teia Rondônia: Cultura e Sustentabilidade
De 26 de fevereiro a 1º de março, o município de Ji-Paraná acolheu a 2ª edição da Teia Rondônia, um evento que reúne diversos pontos e pontões de cultura do estado. O objetivo principal foi fortalecer o diálogo entre os participantes e promover a troca de experiências que visam à construção coletiva de políticas públicas culturais, com ênfase na sustentabilidade e na justiça climática. Ao longo da programação, os participantes puderam desfrutar de apresentações artísticas, debates e atividades de formação, todos voltados para ressaltar o papel fundamental da cultura na defesa da Amazônia.
Organizado pela Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel) em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a rede de Cultura Viva de Rondônia, o evento serviu como preparação para a 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, programada para acontecer de 24 a 29 de março, na cidade de Aracruz, Espírito Santo.
Delegados e Desenvolvimento Cultural
No último dia do encontro, a rede elegeu delegados que irão representar Rondônia no V Fórum Nacional de Pontos de Cultura, que será realizado durante a 6ª Teia. Atualmente, o estado possui 70 pontos de cultura distribuídos entre 12 municípios, totalizando um investimento de R$ 3,7 milhões no segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
As atividades do evento ocorreram em diferentes espaços culturais e áreas públicas, visando fortalecer as organizações e redes comunitárias, além de ampliar o debate sobre cultura, meio ambiente e valorização dos territórios amazônicos. Participaram do evento representantes do Ministério da Cultura, como Junior Afro, diretor do Sistema Nacional de Cultura (SNC), e outros colaboradores que trouxeram suas experiências e reflexões sobre a cultura e a participação social.
Gestão Compartilhada e Participativa
Leandro Anton, coordenador de Articulação da Cultura Viva, destacou a importância da gestão compartilhada durante um dos diálogos da programação. Ele enfatizou a necessidade de recomposição das comissões estaduais da rede de pontos de cultura, sublinhando que essa iniciativa é crucial para promover espaços de gestão coletiva. “É um momento muito importante para consolidar essa relação com o poder público, criando uma base de referência para a gestão participativa”, afirmou.
Além disso, Anton também abordou o planejamento participativo do orçamento destinado aos pontões de cultura, ressaltando que essa proposta busca fomentar projetos colaborativos, evitando a competição entre os integrantes da rede.
Oficinas e Apresentações Artísticas
Durante a Teia, os participantes se envolveram em diversas rodas de conversa que abordaram culturas populares, rurais, afro-brasileiras e indígenas, além de temas relacionados a gênero e diversidade. O evento foi marcado por uma abertura vibrante, com um cortejo cultural que saiu do Feirão do Produtor em direção à Praça dos Migrantes, onde uma feira de artesanato e apresentações artísticas ocorreram, incluindo a Dança Pomerana e a banda Lovelace, de Ji-Paraná.
No segundo dia, foram exibidos curtas-metragens e a oficina de Artesanato com Palha de Buriti, ministrada por Márcio Pereira Guilhermon. Durante essa oficina, os participantes aprenderam sobre todas as etapas do processo produtivo, desde a retirada da fibra até a confecção de peças artesanais, promovendo uma integração entre tradição, criatividade e preservação ambiental.
Futuro da Cultura Viva em Rondônia
O evento também foi um espaço para dialogar sobre o futuro da Cultura Viva em Rondônia, desde os desafios enfrentados até as oportunidades de desenvolvimento. A última plenária permitiu a apresentação de propostas que visam traçar diretrizes para o Plano Nacional de Cultura Viva nos próximos dez anos, abordando temas como governança e sustentabilidade na criação artística.
Com um enfoque na coletividade e na construção de uma cultura forte, a Teia Rondônia reafirma sua relevância como um espaço de resistência e promoção da cultura amazônica, unindo vozes e esforços em prol de um futuro mais sustentável e justo para todos.
