Uma Nova Perspectiva no Orçamento Familiar
Uma pesquisa recente, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG entre os dias 26 e 30 de janeiro de 2023, aponta que 86,6% dos consumidores de Belo Horizonte reconhecem a importância de planejar seus gastos para o ano. Contudo, o estudo revelou que mais da metade, exatamente 50,8%, encontra dificuldades em seguir o planejamento proposto. Os dados foram coletados com a participação de 400 moradores de diversas regiões da capital mineira.
Do total de entrevistados, 44,8% afirmam que tentam seguir seus orçamentos de forma parcial, enquanto 35,8% mantém um controle rígido sobre suas despesas. No entanto, 13,5% dos participantes admitiram que não realizam planejamento financeiro, e 6% mencionaram que, embora tentem organizar suas finanças, não conseguem seguir o plano em sua totalidade.
A pesquisa também revelou que, para a maioria dos entrevistados, cerca de 60%, há uma capacidade de planejar o orçamento e ainda assim sobra algum dinheiro ao final do mês. Por outro lado, 25,6% conseguem pagar suas contas pontualmente, mas não conseguem guardar nenhum valor. Entre os que conseguem economizar, 39,3% destinam essa sobra para poupança, enquanto 35,8% optam por investir em atividades de lazer. Para 23,5%, no entanto, a realidade é que não sobra dinheiro algum no final do mês.
Desafios do Consumidor Atual
A pesquisa destaca que, quando os compromissos financeiros ultrapassam o orçamento, 27% dos consumidores optam por cortar despesas consideradas supérfluas. Em contraposição, 21% garantem que nunca passaram por essa situação, o que ilustra um cenário distinto entre diferentes perfis financeiros. No que se refere às despesas mensais, os itens que mais impactam o bolso dos entrevistados são a energia elétrica, a água e a alimentação.
As dívidas feitas no cartão de crédito são a principal preocupação financeira, com uma alarmante taxa de 90,9% dos entrevistados relatando compromissos nessa modalidade. Além disso, todos os participantes afirmaram estar com obrigações financeiras a vencer, o que gera uma sensação de pressão constante sobre os consumidores.
Seguindo a tendência de consumo, os grupos de produtos e serviços mais adquiridos incluem alimentos, com 70,8% de cobertura, além de roupas, calçados e acessórios, que alcançam 33,5%. O cartão de crédito se destaca como a forma de pagamento mais utilizada, com 44,5% dos entrevistados preferindo parcelar suas compras. Dentre esses, 55,3% costumam dividir o pagamento em várias parcelas, enquanto 32,3% optam por quitar de uma vez.
A Visão dos Especialistas
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, ressalta que, apesar de os dados mostrarem um aumento na conscientização dos consumidores de Belo Horizonte sobre a importância do planejamento financeiro, ainda existe um desafio significativo na execução desse planejamento ao longo do ano. Ela comenta: “O fato de que mais da metade dos consumidores não conseguem cumprir integralmente o orçamento demonstra um descompasso entre a renda e as despesas, especialmente em relação aos gastos essenciais, como energia elétrica, água e alimentação, que consomem uma parte considerável da renda familiar. Isso, em última análise, impacta o poder de compra de outros produtos e, em alguns casos, afetando até a capacidade de pagamento de compromissos financeiros. Além disso, o uso intenso do cartão de crédito, muitas vezes parcelado, é uma estratégia para tentar equilibrar o fluxo de caixa mensal, mas que pode aumentar o comprometimento da renda nos meses seguintes e prejudicar o consumo e o acesso ao crédito.”
