Atualização sobre o Quadro Clínico do Acusado
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais anunciou na noite de quinta-feira (5) que o estado de saúde de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, conhecido como “Sicário” pela Polícia Federal, é gravíssimo. Ele se encontra internado no Centro de Terapia Intensiva do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, após uma tentativa de suicídio durante a custódia da Polícia Federal.
Mourão foi detido na quarta-feira (4) durante a Operação Compliance Zero, uma investigação que desvendou um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Segundo informações da Polícia Federal (PF), ele era identificado pelos comparsas como “Sicário”, um termo que remete a assassinos de aluguel.
No mesmo dia em que foi preso, a PF informou que os médicos do Hospital João XXIII tinham constatado a morte cerebral de Mourão. Entretanto, logo após essa declaração, a Secretaria de Saúde atualizou a informação, esclarecendo que ele ainda estava vivo e internado em estado grave.
O advogado da família, Robson Lucas, confirmou que Mourão continua internado. O diretor do hospital informou à defesa que o estado do paciente é gravíssimo, mas estável, e que até o momento não há evidências que justifiquem a abertura de um protocolo para investigação de morte encefálica.
Detalhes da Prisão e Tentativa de Suicídio
Luiz Phillipi Mourão foi socorrido na tarde de quarta-feira (4) na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, onde estava cumprindo pena e aguardando uma audiência de custódia. De acordo com as autoridades, foi nesse momento que ocorreu a tentativa de suicídio.
Em resposta ao incidente, a Polícia Federal iniciou um inquérito na quinta-feira (5) para investigar as circunstâncias da custódia de Mourão. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, garantiu que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados, sem pontos cegos”, referindo-se à transparência do processo.
A PF também comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e se comprometeu a encaminhar todos os registros em vídeo que documentam a dinâmica do episódio.
Defesa e Implicações da Operação Compliance Zero
A defesa de Mourão divulgou uma nota na quarta-feira (4), afirmando que esteve com ele pessoalmente até cerca das 14h e que, naquele momento, ele estava em “plena integridade física e mental”. Os advogados ficaram cientes do incidente apenas após a divulgação do comunicado oficial da Polícia Federal.
A prisão de Mourão aconteceu durante a Operação Compliance Zero, que visa investigar um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Nesta mesma operação, Daniel Vorcaro foi preso, sendo apontado como o líder de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.
As investigações revelam que Mourão desempenhava um papel central na organização, executando ordens relacionadas à vigilância de alvos, extração ilegal de informações em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Relatórios indicam que havia uma comunicação frequente entre Vorcaro e Mourão, sugerindo uma dinâmica de violência nas atividades do grupo criminoso.
O Papel de Mourão e as Investigações em Andamento
Os investigadores caracterizam Mourão como um “longa manus”, uma expressão jurídica que se refere a um agente que age em nome de outra pessoa para a realização de práticas ilícitas. Além disso, o relatório aponta indícios de que ele recebia aproximadamente R$ 1 milhão por mês de Vorcaro em troca de seus “serviços ilícitos”.
