Obras em Nova Friburgo e Teresópolis
A construção de duas barreiras de contenção no estado do Rio de Janeiro, com o intuito de reduzir os danos dos deslizamentos de terra, está prestes a ser concretizada. O projeto, atualmente em fase final de planejamento, prevê a execução das obras no município de Nova Friburgo neste semestre. A estrutura impermeável que será erguida visa reter sedimentos mais finos, enquanto uma segunda barreira, programada para o segundo semestre de 2026 em Teresópolis, será permeável, permitindo a passagem da água e a retenção de blocos maiores.
Na última quinta-feira (5), o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, participou da reunião final do Comitê de Coordenação Conjunta (CJJ), onde alinhou os últimos detalhes do projeto com técnicos japoneses e representantes dos ministérios das Cidades e das Relações Exteriores, além de integrantes do Governo do Rio de Janeiro.
Durante a reunião, Wolnei expressou seu agradecimento pela colaboração do Japão nos trabalhos realizados ao longo dos anos e destacou as diferenças culturais que enriquecem a parceria. “O Japão é um país com uma cultura milenar. Apesar das dificuldades iniciais, conseguimos superar desafios ao longo do tempo e formamos uma relação de confiança”, afirmou o secretário.
Wolnei lembrou ainda que, em 2012, os especialistas japoneses o alertaram sobre o aumento das chuvas e as mudanças climáticas. “Naquela época, isso era algo distante da nossa realidade. Hoje, enfrentamos essas situações com eventos significativos ocorrendo em Petrópolis (RJ), São Sebastião (SP) e diversas cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul”, ressaltou.
Ele também mencionou a importância de aprender com o Japão, que possui uma política de prevenção de desastres robusta e bem estruturada. “Em 2003, o presidente Lula criou o Ministério das Cidades com foco na prevenção. Embora tenhamos avançado no início, a mudança de governo afetou a continuidade dessa política, que ficou sem os recursos necessários”, completou.
O Projeto Sabo e Parcerias Internacionais
A iniciativa de construção das barreiras está inserida no Projeto Sabo, que visa aprimorar as capacidades técnicas nas medidas estruturais contra deslizamentos e tem como meta salvar vidas e proteger o patrimônio. Guillermo Botovchenco, coordenador-geral adjunto da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), comentou sobre a importância desse projeto. “É mais um passo significativo na relação bilateral entre Brasil e Japão”, destacou.
O ministro conselheiro do Japão, Hirotake Hayashi, também se manifestou na ocasião, enviando solidariedade aos moradores de Minas Gerais, que enfrentam chuvas intensas. Ele enfatizou os avanços do projeto: “Estamos avançando para a conclusão de uma iniciativa tão significativa”, celebrou.
Shohei Kashiwagi, representante da JICA Brasil, expressou sua gratidão aos envolvidos dos dois países, elogiando a cooperação. “Estamos finalmente chegando à fase de execução das obras e espero que essa experiência traga aprendizados valiosos para o Brasil. Desejamos que o projeto se expanda a outras cidades”, acrescentou.
O diretor de Mitigação e Prevenção de Riscos do Ministério das Cidades, Rodolfo Baêsso de Moura, reafirmou o compromisso com as obras em Nova Friburgo e Teresópolis. “O empenho do secretário Wolnei foi fundamental para que este projeto saísse do papel. Trazer tecnologia de outro país é um grande desafio, e essa vitória é um sinal de progresso”, observou.
A execução das obras ficará sob a responsabilidade de Aurélio Vogas, superintendente de Projetos Especiais do Governo do Rio de Janeiro. “Trabalharemos para aplicar todo aprendizado adquirido. Esperamos que, no futuro, o Brasil construa barreiras não apenas no Rio de Janeiro, mas em outros estados também. Proteger vidas é nossa prioridade”, concluiu.
Entendendo as Barreiras Sabo
As barreiras Sabo são estruturas projetadas para conter o movimento de massa, conhecido como fluxo de detritos. As barreiras permeáveis possuem componentes metálicos que retêm os materiais mais pesados, como grandes pedras e rochas, permitindo ao mesmo tempo o fluxo natural da água, reduzindo assim os impactos ambientais. Por outro lado, as barreiras impermeáveis são eficientes na contenção de sedimentos mais finos, como areia e argila, oferecendo uma solução eficaz para a prevenção de desastres naturais.
