Comemorações do Ano JK
Juscelino Kubitschek (JK) é um ícone que transcende os limites da história, sendo uma figura que poderia muito bem estar em uma obra de ficção, mas é real. Nascido em Diamantina, Minas Gerais, o famoso “presidente Bossa Nova” é lembrado por seu espírito visionário e pela ambição de fazer o Brasil progredir 50 anos em apenas cinco. Desde sua morte, ocorrida há cinquenta anos, seu legado continua a atrair a atenção e a curiosidade, impulsionando não só a memória cultural, mas também a economia nas cidades que o viram crescer.
Para celebrar o Ano JK, uma série de eventos está programada para ocorrer em Diamantina e Belo Horizonte, incluindo mostras de cinema, debates, visitas guiadas, seminários e até uma ópera. A expectativa é atrair turistas de diversas partes do Brasil, movimentando a Cultura local e estabelecendo novas conexões com o passado.
Alberis Vinícius Cristiano Mafra, secretário municipal de Cultura e Patrimônio Histórico de Diamantina, destaca que a cidade já realiza anualmente a “Semana JK” em setembro, mas que em 2026, devido à colaboração com a Fundação Clóvis Salgado (FCS) e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), a celebração se ampliará.
A programação culminará em 12 de setembro de 2026, com a estreia da ópera inédita “Chica”, que será produzida pelos corpos artísticos da FCS. Os visitantes também poderão assistir a récitas da ópera em 23, 25 e 27 de setembro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
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“JK é uma figura central para a história de Diamantina, e anualmente atraímos muitos turistas interessados em sua trajetória. Neste ano, a programação está mais robusta, e acreditamos que isso irá movimentar a cidade. Além da história de JK, os visitantes poderão explorar nossas riquezas culturais e naturais, percebendo que somos uma cidade viva e pronta para o turismo e novos investimentos”, afirma Mafra.
Programação cultural em Belo Horizonte
Na capital mineira, as atividades programadas se estenderão de março a setembro e incluirão exposições, palestras, mostras de cinema, concursos literários e iniciativas educativas. Alguns dos eventos ocorrerão em locais emblemáticos do Circuito Liberdade, como o Palácio da Liberdade, o Palácio das Artes, a Biblioteca Pública Estadual e o Arquivo Público Mineiro, além de outros centros culturais.
O Palácio das Artes, que foi idealizado durante a gestão de JK como prefeito, completará 55 anos em 2026. Para marcar a data, será lançado um livro sobre sua história e uma exposição com croquis de Oscar Niemeyer, reforçando o vínculo entre arquitetura, cultura e política.
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Dentre as atrações, destaca-se a mostra de cinema “JK e o sonho moderno”, que será exibida no Cine Humberto Mauro. Esta programação abordará os impactos da modernização na sociedade e o contexto histórico do desenvolvimentismo entre os dias 29 e 30 de abril.
Legado de Juscelino Kubitschek
Yuri Mesquita, presidente da FCS, enfatiza que celebrar a memória de JK vai além de homenagear um líder político. É um reconhecimento da sua importância na construção da identidade mineira e do Brasil contemporâneo. “JK foi fundamental para moldar a mineiridade e trouxe uma nova perspectiva modernista para Belo Horizonte, com obras que transformaram a cidade, como as avenidas Amazonas e Antônio Carlos. Nosso objetivo é mostrar que seu legado está presente na cultura e na política do Brasil, permanecendo relevante na contemporaneidade. Pampulha e Brasília são exemplos claros disso”, analisa Mesquita.
Com o Ano JK, a iniciativa de resgatar seu legado não apenas reverbera na memória, mas também incentiva a economia criativa, promovendo desenvolvimento sustentável. Este projeto busca articular o passado com a preservação do patrimônio e a construção de um futuro mais justo, alinhado com as demandas contemporâneas.
Uma programação especial está em planejamento para 2027, quando se comemorará os 125 anos de nascimento de JK. “Em um mundo turbulento como o atual, a habilidade de diálogo e o carisma de JK seriam de grande valia. Ele sempre buscou ser acessível ao público, levando a cultura popular para todos os segmentos da sociedade. A série de ações artísticas programadas para o Ano JK consolidará um ecossistema vibrante de turismo, economia e cultura”, conclui Mesquita.
Em agosto, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG) homenageará JK com diversas atividades, como concursos literários, palestras, exibições de documentários e um seminário sobre sua trajetória. A Biblioteca Pública Estadual também apresentará a exposição “JK: Muito além de seu tempo”, que trará recortes da imprensa sobre a vida e carreira do ex-presidente.
A relação de JK com a imprensa remonta a seus primeiros anos, sendo particularmente forte com o Diário do Comércio. Luiz Carlos Motta Costa, presidente do Conselho Gestor do jornal, relembra que a família Kubitschek sempre teve vínculos estreitos com a história do meio. “JK é diamantinense, assim como minha mãe. Nossas famílias eram próximas e essa relação se estendeu ao longo da vida dele. Lembro de momentos em que ele era prefeito e os aniversários de suas filhas no Palácio da Liberdade, tudo sem os exageros que vemos hoje em dia”, narra Costa.
A proximidade entre as famílias permaneceu até pouco antes da trágica morte de JK, que ocorreu em um acidente na rodovia Presidente Dutra em 22 de agosto de 1976. Essa conexão afetiva com a história mineira revela a importância de JK não apenas como político, mas como parte fundamental da identidade cultural do estado.
