Transformação na Colheita da Pimenta-do-Reino
A recente inovação tecnológica lançada no interior de São Paulo atende a uma demanda crescente do mercado agrícola, buscando melhorar a eficiência operacional e a rentabilidade dos produtores de pimenta-do-reino. Joel Backes, diretor comercial da MIAC, empresa responsável pela nova ferramenta, afirma: “O equipamento vem atender uma demanda muito clara do mercado, dos produtores, que é uma eficiência operacional, um aumento de rentabilidade, de produtividade e o cuidado com o grão”.
O Brasil, que ocupa a segunda posição mundial na produção e exportação de pimenta-do-reino, atrás apenas do Vietnã, apresenta números expressivos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A previsão para 2024 é de uma produção de 125 mil toneladas, gerando um valor estimado em R$ 3,67 bilhões. Esse cenário posiciona a cultura como uma alternativa viável para diversificação nas lavouras.
O Espírito Santo se destaca como o maior produtor nacional, representando cerca de 60% da produção nacional, seguido por estados como Pará e Bahia. Entretanto, apesar de sua importância no mercado global, a colheita da pimenta-do-reino ainda enfrenta um desafio significativo: a dependência de mão de obra manual. É nesse contexto que a nova tecnologia emerge como uma solução potencial para transformar a dinâmica do setor.
“Após três anos de desenvolvimento focado nessa necessidade, ouvimos os clientes e entendemos suas dificuldades para criar um produto eficaz”, comenta Backes.
Leia também: Bahia Farm Show 2026: Um marco no crescimento do agronegócio baiano
Fonte: edemossoro.com.br
A máquina, apresentada na Agrishow, promete mecanizar a colheita, reduzindo os custos operacionais relacionados à mão de obra. A inovação, que já está sendo testada em campo, visa otimizar todo o processo.
A Realidade da Colheita no Brasil
O ciclo de produção da pimenta-do-reino começa a partir do segundo ano após o plantio. Com um rendimento crescente a partir do terceiro ano, a colheita ocorre entre julho e novembro, quase que exclusivamente de forma manual. Backes explica: “O modelo era totalmente manual, sem nenhuma mecanização. O produtor colhe, coloca em baldes e transporta todo o produto até o beneficiamento.”
Esse método tradicional exige uma grande quantidade de trabalhadores, elevando os custos de produção e impactando negativamente na eficiência logística das propriedades.
BP Master: A Máquina Inédita no Mundo
Para solucionar esse problema, a MIAC lançou a BP Master, uma recolhedora trilhadora de pimenta-do-reino, considerada uma inovação mundial. Este equipamento se acopla ao trator e realiza mecanicamente etapas que antes dependiam exclusivamente da mão de obra humana. “A máquina possui um sistema de alimentação contínua, utilizando uma lona posicionada entre os filetes de plantas de pimenta. Os operadores colhem os cachos e os jogam sobre a lona, que passa por um cilindro de trilha e uma peneira, processando o grão e separando-o da massa foliar. O ganho operacional é imenso”, detalha Backes.
Além de promover a eficiência no processo, a máquina assegura a integridade do grão de pimenta, consequentemente elevando a qualidade do produto final e melhorando a logística dentro da propriedade. Ao transportar apenas o grão, elimina-se a necessidade de mover caule e folhas, um ganho significativo.
Backes ressalta que, em um hectare que tradicionalmente requer até 100 trabalhadores, a nova tecnologia pode realizar a mesma tarefa com apenas 20 pessoas. “O produtor sente o impacto financeiro de imediato, pois com a redução de 50% da mão de obra, além de até 20% de aumento na produtividade, os custos operacionais diminuem drasticamente”, afirma.
Perspectivas de Crescimento no Setor
Atualmente, cerca de 90% da pimenta-do-reino brasileira é destinada à exportação, principalmente para mercados asiáticos e europeus. O setor tem movimentado bilhões e demonstrado um crescimento consistente, mesmo sem a mecanização. No entanto, ainda existem desafios, especialmente na adaptação dos produtores a novas tecnologias, muitos dos quais estão habituados ao modelo tradicional de operação.
“Nos últimos três anos, a produção praticamente dobrou. Com a mecanização, a expectativa é de que esse crescimento se acelere ainda mais. A maior barreira é a mudança de mentalidade. Para os produtores que sempre trabalharam de forma manual, essa transição pode ser difícil, mas com suporte técnico e assistência no campo, acreditamos que a adaptação acontecerá”, conclui Backes.
