Operação Caatinga Resiste em Ação
Nesta segunda-feira, 9 de março, inicia-se a Operação Caatinga Resiste, uma ação nacional voltada para a fiscalização ambiental e o combate ao desmatamento ilegal no bioma da Caatinga. A operação, que se estenderá até o dia 19 de março de 2026, contará com a participação de Ministérios Públicos, órgãos ambientais e forças policiais de vários estados, incluindo Paraíba, Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Minas Gerais.
Essa iniciativa integra o projeto Caatinga Resiste, coordenado pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE), com a colaboração dos Ministérios Públicos estaduais. O foco são propriedades privadas onde há desmatamento irregular, realizado sem a devida autorização para a supressão da vegetação.
Desmatamento e Dados Alarmantes
A operação surge em um contexto de alerta constante sobre o desmatamento na região. Apesar de uma redução de 9% nas atividades de desmatamento em 2025, conforme dados do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma Caatinga ainda é um dos mais ameaçados do Brasil. Os índices de supressão ilegal e desmatamento em áreas remanescentes que são vitais para a conservação continuam elevados, e a cobertura por unidades de conservação é considerada baixa.
Segundo o MapBiomas, de 1985 a 2023, a Caatinga perdeu cerca de 14,4% de sua vegetação nativa, o que corresponde a aproximadamente 8,6 milhões de hectares. Atualmente, cerca de 59,6% da vegetação nativa ainda permanece, enquanto cerca de 38,2% do território já foi convertido para usos humanos, como agricultura e pastagens. Esses dados refletem um preocupante histórico de degradação no semiárido brasileiro.
Metodologia da Operação Caatinga Resiste
A fiscalização da Operação Caatinga Resiste será realizada a partir de alertas de desmatamento, identificados por imagens de satélite geradas pelo projeto MapBiomas. As informações obtidas serão cruzadas com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), o que permitirá que equipes de fiscalização ambiental e de segurança conduzam inspeções tanto presencial quanto remotamente.
Além de investigar o desmatamento ilegal, a força-tarefa buscará apurar outras infrações ambientais e crimes relacionados à supressão irregular da vegetação. Isso abrange práticas como a grilagem e a apropriação indevida de terras públicas, queimadas ilegais, além de fraudes em documentos e registros ambientais.
Impacto na Fauna e Abordagem Integrada
A operação também se concentrará em crimes contra a fauna silvestre, especialmente quando o desmatamento for responsável pela destruição de habitats ou pela captura ilegal de animais. Além disso, serão investigados crimes dentro de unidades de conservação e outras infrações ambientais, como o porte ilegal de armas em contexto de delitos ecológicos e a extração ilícita de minerais.
A promotora de Justiça Aldeleine Barbosa, coordenadora do projeto, destacou a importância dessa ação. “A redução observada em 2025 é um sinal de avanço, mas ainda é insuficiente diante do passivo ambiental da Caatinga. A operação busca evitar um aumento no desmatamento, fortalecendo a fiscalização e a proteção das áreas que permanecem preservadas”, explicou.
Objetivos e Futuro da Caatinga
Além da repressão ao desmatamento ilegal, a Operação Caatinga Resiste tem como meta melhorar a governança ambiental, aumentar a transparência dos sistemas de controle e promover a recuperação de áreas degradadas. A preservação da Caatinga é vital para a regulação climática, para o sequestro de carbono e para a manutenção da vida de milhões de pessoas que habitam o semiárido brasileiro.
Cláudia Cabral, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional Meio Ambiente do MPPB, reiterou a importância da ação em nível estadual. “A Paraíba, integrada à operação nacional, busca fortalecer o combate ao desmatamento ilegal, identificar áreas críticas e atuar em conjunto com os órgãos ambientais e de fiscalização. Proteger a Caatinga é garantir um futuro ambiental saudável para nossa região”, pontuou.
Ao final da operação, será divulgado um balanço dos resultados das fiscalizações, que incluirá informações sobre as áreas autuadas, o número de procedimentos instaurados e os valores das multas aplicadas.
