Proposta de Aumento Atrasada
O projeto de lei que define o reajuste salarial para os servidores públicos de Minas Gerais ainda não chegou à Assembleia Legislativa do estado. O aumento de 5,4% foi anunciado pelo governador Romeu Zema (Novo) através das redes sociais na última segunda-feira (2/3), mas sua formalização e aprovação pelo Legislativo são essenciais para que o novo índice entre em vigor. O atraso no encaminhamento do projeto agrava a pressão de sindicatos e trabalhadores sobre os deputados estaduais, que buscam um aumento maior. Após 4 de abril, as regras eleitorais restringem os reajustes apenas à compensação de perdas inflacionárias.
Expectativa em Meio ao Calendário Político
Procurado para esclarecer a situação, o governo informou que o texto será enviado “ainda neste mês”, mas não revelou uma data precisa. Nos corredores da Assembleia, muitos acreditam que a proximidade das eleições influencia essa demora. Nos bastidores, parlamentares especulam que o governo pode estar preparando uma “dobradinha política”. Zema lançou o tema, mas a assinatura do reajuste deve ficar a cargo do vice-governador Mateus Simões (PSD), considerado seu candidato à sucessão no Palácio Tiradentes.
Simões está previsto para assumir o governo em 22 de março, quando Zema deixará o cargo para concorrer à Presidência da República. Por isso, alguns líderes da Assembleia acreditam que o projeto não será apresentado antes dessa transição.
Pressão de Servidores e Sindicatos
Apesar das especulações sobre o encaminhamento do projeto, alguns líderes afirmam que a proposta pode ser apresentada nesta semana e minimizam a importância do atraso, ressaltando que o governo prometeu um reajuste retroativo a janeiro. Isso poderia garantir aos servidores o pagamento de valores atrasados, independentemente da data de aprovação.
No entanto, para os servidores e sindicatos, a situação é preocupante. Com o início da tramitação em 23 de março, restarão cerca de dez dias para discutir o projeto antes que as restrições da lei eleitoral entrem em vigor. De acordo com as regras, reajustes com ganho real devem ser aprovados até 180 dias antes das eleições. Como o primeiro turno de 2026 será em 4 de outubro, qualquer aumento que ultrapasse a inflação precisa ser publicado até 4 de abril. Após essa data, apenas correções limitadas à reposição inflacionária do ano podem ser feitas.
Oposição Se Manifesta
A morosidade no envio do projeto já se tornou alvo de críticas por parte da oposição. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) afirmou que, até o momento, o reajuste existe apenas como uma promessa. “O projeto de lei do reajuste até agora é só uma informação nas redes sociais do governador. Não foi enviado nada para a Assembleia. Essa demora é injustificável, considerando que o planejamento salarial deveria estar pronto”, argumentou.
Ela destacou a falta de diálogo que tem caracterizado a gestão de Zema. “Parece que ele quer reduzir o tempo para discutir. Não respeita a representação dos trabalhadores. Isso revela uma postura autoritária, que deve preocupar toda a sociedade”, criticou.
Reação dos Sindicatos
Quando anunciou o aumento, Zema defendeu que o índice anunciado é o máximo possível, considerando a realidade fiscal do estado. “Nos próximos dias, vamos enviar o projeto para a Assembleia, para que o reajuste seja aprovado e pago o quanto antes. Minas prospera porque nossos servidores fazem a diferença”, disse.
Entretanto, entre os sindicatos, a percepção é que o reajuste foi tardio e não cobre as perdas acumuladas ao longo dos anos. O SindSaúde questionou o momento da divulgação do aumento, levantando dúvidas sobre as intenções do governo. “Após anos sem uma política permanente de recomposição, o governo apresenta um índice que não recupera as perdas históricas, exatamente quando o cenário político exige mais visibilidade”, afirmou a entidade.
Na área da educação, o Sind-UTE revelou que sua categoria acumula 41,83% de perdas salariais entre 2019 e 2025 e que continua em greve em busca de uma recomposição justa. Na segurança pública, as perdas são ainda mais significativas. O Sindppen, que representa agentes penais, reportou uma perda acumulada desde 2015. “Com uma perda inflacionária de 52,33%, oferecer 5,4% é mais um desrespeito aos servidores da segurança pública”, comentou a entidade.
