Aumentos nas Vendas de Aço e Desafios Econômicos
Um ano após a implementação das tarifas elevadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as exportações de aço de Minas Gerais para o mercado norte-americano registraram um crescimento de 15%. Contudo, o valor total das vendas experimentou uma significativa redução de 26%. Essa informação é parte de um estudo elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), cujos resultados foram divulgados na última quinta-feira (12/3).
Segundo o relatório, a nova dinâmica das exportações mineiras se deve à concentração de embarques em produtos de menor valor agregado, especialmente os semiacabados. Estes aços semiacabados, utilizados como insumos para siderúrgicas nos Estados Unidos, passaram a dominar as exportações recentes.
“Isso significa que, embora Minas Gerais esteja enviando uma quantidade maior de aço, o valor médio por tonelada caiu, o que explica a discrepância entre o aumento no volume exportado e a queda na receita total”, destacou a Fiemg em comunicado.
Para contextualizar, em 12 de março de 2025, foram implantadas tarifas de 25% sobre o aço global, que foram posteriormente aumentadas para 50% três meses depois, complicando ainda mais o cenário para os exportadores brasileiros.
Exportações e o Mercado Internacional
Ainda assim, o mercado dos Estados Unidos continua a ser um destino importante para a produção siderúrgica de Minas Gerais. Em 2025, cerca de 20% das exportações de aço do estado foram destinadas ao país, totalizando aproximadamente 351 mil toneladas.
Os dados da Fiemg revelam um aumento nas vendas de produtos de menor valor agregado. Em 2024, esses itens semiacabados correspondiam a 19% das exportações de aço para os EUA, enquanto os produtos de maior valor, que incluem aços longos, tubos e canos, representavam 81%. No entanto, com a introdução das tarifas, os semiacabados passaram a compor 53% das exportações para os Estados Unidos.
Redirecionamento de Exportações e Novos Mercados
Como resposta às novas tarifas, Minas Gerais começou a redirecionar suas exportações para outros mercados, amortecendo os impactos negativos. Países da América do Sul passaram a aumentar as aquisições de aços longos e planos, assim como mercados como Suíça, Paquistão e Itália. Além disso, países como Iraque, Bélgica, Catar e Índia emergiram como compradores significativos de tubos, canos e aços inoxidáveis, conforme destacado pela Fiemg.
A Posição do Brasil no Comércio Internacional de Aço
Em nível nacional, as medidas tarifárias também demonstraram efeito. Em 2025, as importações globais de aço pelos Estados Unidos caíram 12,6% em peso, enquanto as importações do Brasil recuaram 8,3%, totalizando 3,7 milhões de toneladas. Apesar da queda, o Brasil se manteve como o segundo maior fornecedor de aço para o mercado americano, respondendo por 16,3% do total importado, logo atrás do Canadá e à frente do México.
“O tarifaço alterou consideravelmente a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter sua presença nesse mercado, mas com uma modificação no perfil das exportações aos Estados Unidos, que agora se concentram mais em produtos de menor valor agregado”, analisou Flávio Roscoe, presidente da Fiemg.
Alerta para o Crescimento das Importações
O estudo também emitiu um alerta sobre o crescimento das importações de aço no Brasil. Em 2025, as compras externas de aço por Minas Gerais aumentaram 17%, alcançando 284 mil toneladas, sendo os preços, em média, 11% mais baixos do que os praticados internamente, o que em certos casos configura uma prática ilegal.
Essas importações foram impulsionadas principalmente pela China, que sozinha representou 54% do total, além de países como Indonésia (18%) e Japão (11%).
“Esse cenário demanda acompanhamento contínuo, especialmente dado o avanço de medidas protecionistas no comércio internacional e o risco de práticas desleais de comércio”, conclui a Fiemg.
