Uma Nova Era para o Patrimônio Cultural
Na noite da última terça-feira (10), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) inaugurou, no emblemático Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, o livro intitulado Restauro – Palácio Gustavo Capanema: O Patrimônio Cultural no Novo PAC. Este lançamento marca o início da coleção Restauro, que tem como objetivo documentar e apresentar ao público as iniciativas de preservação do patrimônio cultural brasileiro realizadas pelo Iphan, no contexto do Novo PAC. A obra é resultado de uma colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), através de um projeto de Cooperação Técnica Internacional.
O evento reuniu mais de 300 convidados, incluindo figuras destacadas como o presidente do Iphan, Leandro Grass; a superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Wanzeller; e a presidenta da Funarte, Maria Marighella, entre outros. A cerimônia foi animada por uma apresentação musical do grupo carioca Boêmios da Rua do Rosário, enquanto exemplares do livro foram distribuídos aos presentes. Para quem não pôde comparecer, a versão digital do livro está disponível gratuitamente.
Um Trabalho Coletivo e Significativo
Durante o evento, Leandro Grass ressaltou a importância do trabalho em equipe para a realização do restauro do Palácio Capanema. “Estamos vivendo um momento emocionante na história desse patrimônio. O trabalho não é solitário; é um esforço coletivo. Quero expressar meu agradecimento a todos os servidores do Iphan que foram essenciais nesse processo”, afirmou.
Daniel Sombra, que liderou a produção da obra, comentou sobre a amplitude do projeto editorial. “Este é apenas o início de uma coleção que irá contar as histórias do que o Iphan tem realizado em todo o Brasil”, explicou Sombra. O livro revela, pela primeira vez, o detalhado processo de restauração do edifício, que ocorreu entre 2019 e 2025, com um investimento superior a R$ 84 milhões via Novo PAC. Essa intervenção é considerada uma das mais complexas do Iphan, aplicando o princípio de “menos é mais”, resultando em uma modernização quase imperceptível.
Intervenções e Restaurações
A superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Wanzeller, destacou a expertise da equipe envolvida na restauração. “Contamos com profissionais extremamente qualificados que enfrentaram este grande desafio para devolver o prédio à população brasileira”, declarou. As principais intervenções incluíram a modernização das redes elétrica, hidráulica e sanitária, além da instalação de sistemas de climatização e de combate a incêndio. Elementos originais como os azulejos de Cândido Portinari e Paulo Rossi Osir, os pisos de linóleo e o jardim projetado por Roberto Burle Marx também foram restaurados, assim como o mobiliário modernista das décadas de 1930 e 1940, com peças de Oscar Niemeyer.
Valorização da História e dos Profissionais
Além de documentar o trabalho de restauração, o livro também narra a história do Palácio Capanema e sua importância na cultura brasileira. Construído entre 1937 e 1945 sob a gestão do ministro Gustavo Capanema, o edifício foi projetado por uma equipe de renomados arquitetos, incluindo Lucio Costa e Oscar Niemeyer. O Tribunal do Iphan tombou a estrutura em 1948, tornando-a um símbolo da intersecção entre arte, arquitetura e políticas culturais no Brasil.
Um dos capítulos se destaca ao homenagear os “Trabalhadores do Patrimônio”, reconhecendo os operários que atuaram na restauração por meio de fotografias e nomes, celebrando seu papel na preservação da memória cultural brasileira.
Objetivos da Coleção Restauro
A coleção Restauro busca registrar e divulgar as obras de restauração realizadas pelo Iphan dentro do Novo PAC. Ao documentar os desafios técnicos enfrentados e as soluções encontradas, a série pretende ampliar o acesso ao conhecimento sobre preservação do patrimônio, além de valorizar o trabalho dos especialistas, técnicos e operários envolvidos nesses processos.
Marina Simon, coordenadora editorial do livro, destacou o desafio de transformar uma obra de engenharia complexa em uma narrativa acessível. “Queremos que nossa publicação converse tanto com especialistas quanto com o público em geral que admira o prédio. O objetivo é que o leitor compreenda a importância de cada detalhe do restauro e se sinta parte desse processo”, afirmou.
