Leitor Óptico Revolucionário
A etapa inicial da vida de bebês prematuros agora conta com uma inovação significativa, resultado do trabalho de pesquisadores brasileiros que aprimoram a qualidade do diagnóstico em saúde. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou um leitor óptico que, após a validação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Essa ferramenta inovadora é capaz de avaliar a idade gestacional e a maturidade pulmonar de recém-nascidos utilizando a pele neonatal.
A portaria que oficializa essa incorporação foi divulgada na quarta-feira (11) pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE). O Ministério da Saúde terá um prazo de 180 dias para disponibilizar os primeiros dispositivos na rede de atendimento. Vale ressaltar que o equipamento não substitui a avaliação profissional e o suporte pré-natal adequado.
Funcionamento do PreemieTest
Denominado PreemieTest, o dispositivo é utilizado logo após o nascimento, por meio de uma pequena sonda colocada no pé do bebê. Em poucos segundos, o exame indolor, que não utiliza radiação, oferece informações cruciais para orientar decisões clínicas, como a necessidade de suporte respiratório e a internação em terapia neonatal. Em algumas situações mais críticas, pode indicar o encaminhamento imediato a uma unidade hospitalar com mais recursos. Entre 2024 e 2025, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) registrou mais de 487 mil nascimentos de prematuros no Brasil, representando 12,3% do total de nascimentos vivos nesse período.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de investir em tecnologias nacionais. “Esse processo fortalece a soberania científica do Brasil, garantindo que cada criança, desde os grandes centros urbanos até as comunidades indígenas, receba cuidados adequados desde o nascimento. Embora o aparelho seja uma ferramenta valiosa, um pré-natal bem realizado é essencial para evitar partos prematuros e garantir a saúde materna e infantil. Investir em ciência e inovação equivale a proporcionar soluções concretas para a população”, comentou.
Benefícios para Comunidades Remotas
O teste também é crucial para identificar os cuidados necessários em prematuros, especialmente em áreas onde o ultrassom pode não ser realizado no início da gestação, ou quando a data da última menstruação da gestante é incerta. Essa agilidade se torna ainda mais vital em regiões remotas, onde o parto pode ocorrer fora de hospitais, necessitando de decisões rápidas e seguras por parte das equipes de saúde.
Além de ajudar na estimativa da idade gestacional, o PreemieTest fornece dados importantes sobre a necessidade de internação em UTI neonatal, suporte ventilatório e risco de síndrome do desconforto respiratório (SDR). Informações rápidas e precisas podem ser determinantes para a sobrevivência do recém-nascido e para a prevenção de possíveis complicações.
Desenvolvimento e Testes em Áreas Indígenas
O desenvolvimento do dispositivo pela UFMG contou com apoio financeiro do Ministério da Saúde, através do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (PROCIS), que visa transformar inovações científicas em soluções concretas para o SUS. A professora Zilma Reis, da Faculdade de Medicina da UFMG, enfatiza a importância desta tecnologia: “Saber a idade gestacional é crucial para a saúde do recém-nascido. Esta ferramenta funciona independentemente da experiência do examinador, sendo capaz de obter resultados precisos em segundos. Estamos orgulhosos de contribuir com uma tecnologia que promete salvar vidas.”
O leitor óptico foi testado em diversas regiões do Brasil, incluindo comunidades indígenas na Amazônia, com a participação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). A experiência nesses contextos demonstrou a usabilidade do dispositivo e sua aceitação pelas equipes de saúde, além de evidenciar seu potencial para melhorar o diagnóstico precoce da prematuridade.
Atualmente, a principal maneira de estimar a idade gestacional no SUS é por meio de ultrassonografias realizadas no primeiro trimestre de gestação. Quando há risco de parto prematuro, corticoides são administrados para acelerar o desenvolvimento pulmonar do bebê. Após o nascimento, o manejo dos recém-nascidos prematuros envolve avaliações clínicas, uso de medicamentos e, quando necessário, internação em UTI.
