Retração na Indústria Cearense
A indústria do Ceará enfrentou um começo de ano desafiador, apresentando o terceiro pior desempenho de produção em todo o Brasil, com uma queda de 7,5% em janeiro de 2026, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. O estado só ficou à frente da Bahia, que registrou uma retração de 10,3%, e do Rio Grande do Norte, que teve uma queda alarmante de 24,9%. Esses dados foram revelados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 13 de março.
Essa diminuição significativa contrasta com o desempenho nacional, que obteve uma leve variação positiva de 0,2% no mesmo período. O quadro geral dos estados participantes da pesquisa destaca a dura realidade enfrentada pelo Ceará e a necessidade de revisões nas estratégias industriais. Confira a seguir como se comportaram as indústrias de outros estados:
- Pernambuco: 27,7%
- Espírito Santo: 14,5%
- Mato Grosso do Sul: 8,7%
- Maranhão: 6,2%
- Rio de Janeiro: 5,6%
- Mato Grosso: 5,2%
- Minas Gerais: 2,7%
- Pará: 0,5%
- Paraná: 0%
- São Paulo: -1,5%
- Goiás: -4,4%
- Rio Grande do Sul: -6,5%
- Santa Catarina: -6,5%
- Amazonas: -6,8%
- Ceará: -7,5%
- Bahia: -10,3%
- Rio Grande do Norte: -24,9%
Cenário Mensal e Setorial
O cenário não é animador também quando analisado na perspectiva mensal. Com ajuste sazonal, a produção industrial do Ceará caiu 2,5% de dezembro para janeiro, marcando a terceira maior retração do país e apresentando uma diferença expressiva em relação à variação nacional, que foi de apenas 1,8%. Essa tendência negativa se reflete nas dificuldades que a maioria dos setores industriais do estado vem enfrentando.
Dos 11 segmentos analisados na PIM, sete mostraram queda na produção comparado a janeiro de 2025. Os setores de alimentos, de produtos de couro e calçados e o têxtil foram os que mais sofreram, apresentando quedas de 3,79%, 1,86% e 1,58%, respectivamente. Apesar das dificuldades, algumas áreas conseguiram registrar crescimento, como refino e biocombustíveis (1,51%), produtos químicos (0,42%) e minerais não-metálicos (0,21%). Confira mais sobre esses resultados:
- Refino e biocombustíveis: 1,51%
- Produtos químicos: 0,42%
- Minerais não-metálicos: 0,21%
- Vestuário: 0,06%
- Produtos de metal: -0,26%
- Metalurgia: -0,28%
- Bebidas: -0,81%
- Máquinas, aparelhos e materiais elétricos: -1,15%
- Têxtil: -1,58%
- Produtos de couro e calçados: -1,86%
- Alimentos: -3,79%
Comparação Nacional
Em uma análise mais ampla, a produção industrial nacional teve um desempenho bastante diferente. Em janeiro de 2026, a indústria brasileira cresceu 1,8% em relação a dezembro de 2025, com sete dos quinze locais pesquisados apresentando resultados positivos. Os estados com as maiores altas foram Pará (8,6%), São Paulo (3,5%) e Minas Gerais (3,2%). As quedas, por sua vez, foram mais acentuadas no Rio Grande do Sul (-4,5%) e no Espírito Santo (-4,3%).
Na comparação anual, a indústria nacional variou apenas 0,2%, mas apresentou avanços em oito dos dezoito estados analisados. Os dados demonstram que, enquanto alguns setores estão se recuperando, o Ceará continua enfrentando um cenário complicado. As principais altas foram em Pernambuco e Espírito Santo, com 27,7% e 14,5%, respectivamente, ilustrando a disparidade do crescimento industrial entre os estados.
