Desafios e Estratégias na Sucessão do Governo Mineiro
A sede do governo de Minas Gerais sempre foi um epicentro do poder estadual, onde os governadores costumam garantir sua influência tanto para se reeleger quanto para eleger seus sucessores. Contudo, a história mostra que esse êxito não é garantido. A pergunta que paira no ar é se Romeu Zema, do partido Novo, pode seguir os passos de Hélio Garcia (1994), Itamar Franco (2002), Aécio Neves (2006) e Antonio Anastasia (2010), que lograram êxito em suas respectivas campanhas. Ou será que a eleição atual em Minas será marcada por reveses como os vividos em 1998, com Eduardo Azeredo; em 2014, com Pimenta da Veiga; e em 2018, com Fernando Pimentel?
A trajetória de Mateus Simões, candidato à reeleição pelo PSD, é marcada por um sofisticado cálculo político que abrange diversas variáveis. Ele conta com um cenário misto de vantagens e desafios. Simões tem à sua disposição a máquina governamental, a qual utiliza para anunciar investimentos em sua campanha durante a reta final. Ele percorre o estado ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), promovendo a distribuição de verbas em municípios e divulgando seu trabalho nas redes sociais.
Embora essa estratégia possa desagradar alguns parlamentares locais, ela também favorece Ferreira, que busca apresentar resultados concretos em suas bases. Simultaneamente, essa aproximação é vista como uma forma de Simões se fortalecer nas pesquisas de intenção de voto, aproveitando a popularidade de Ferreira. Apesar da relevância da parceria, há incertezas sobre a aliança do PL com a candidatura de Simões, uma vez que o partido está dividido em Minas, com Ferreira e outras lideranças apoiando o candidato do PSD.
Por outro lado, os parlamentares que se consideram ‘bolsonaristas autênticos’ estão apoiando Cleitinho (Republicanos), que atualmente lidera as pesquisas. Na última sexta-feira, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) apresentou ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) a proposta de que o PL apoie Cleitinho, que também conta com o suporte de representantes da área de segurança pública. Caporezzo também pleiteia uma candidatura ao Senado, que até o momento foi assegurada a Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e ao deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual da legenda.
Mateus Simões, por sua vez, busca formar uma ampla aliança, contando com o apoio do PL e da Federação União-PP, que possui cerca de 20% do tempo de mídia disponíveis. Além disso, outros partidos como Podemos, PRD e Solidariedade estão sendo considerados nessa composição. O secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), que também é pré-candidato ao Senado, está bastante envolvido nessa articulação.
Aro tem se destacado por sua habilidade em formar chapas, o que lhe confere um poder de influência sobre os parlamentares mineiros. No entanto, há fissuras entre os partidos União e PP em relação ao apoio na sucessão estadual. Há movimentações que buscam alinhar-se com Cleitinho, que refletem também uma estratégia das direções nacionais.
O cenário se torna ainda mais complexo com a recente dinâmica política nacional, influenciada pelo empate técnico de Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno contra Lula na disputa presidencial. A Federação União-PP poderá reconsiderar sua estratégia em Minas e buscar acordos para indicar o vice na chapa de Cleitinho, o que influenciaria Aro caso opte por permanecer no PP. Ao mesmo tempo, a promessa de Simões de uma superfederação em seu palanque pode não se concretizar.
A direção estadual do União também vem passando por mudanças estruturais, com a intervenção que removeu o deputado federal Marcelo de Freitas (União), apoiador de Simões, substituindo-o por Rodrigo de Castro (União), que possui uma aliança mais próxima com o senador Rodrigo Pacheco (PSD). A primeira declaração de Castro em seu novo cargo foi clara: ainda não há definição em Minas sobre o apoio a Mateus Simões, e o foco está na candidatura de Aro ao Senado.
Enquanto Simões enfrenta os desafios da direita bolsonarista, a situação no campo lulista parece menos conturbada por enquanto. Após a migração do PSD de Pacheco para o entorno de Simões, o grupo lulista agora se vê diante de uma superabundância de candidaturas. O futuro de Pacheco continua sendo uma incógnita; uma parte acredita que ele se candidatará ao governo de Minas, enquanto outra já se dá por vencida, convencida de que ele não participará da disputa.
No centro do espectro, Mateus Simões enfrenta duas candidaturas adversárias. A primeira é do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, esperando que a falta de candidatos no campo lulista traga apoio para sua campanha. A segunda candidatura é de Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal, que atualmente se encontra em uma posição de empate técnico com Simões nas últimas pesquisas. Azevedo busca apoio de partidos como PSB e PSDB, que ainda estão indecisos aguardando uma definição de Pacheco.
A história política recente de Minas mostra que quem está no governo tem, geralmente, uma vantagem nas eleições. Em oito disputas nos últimos trinta anos, cinco governadores conseguiram vencer suas corridas. Essas vitórias foram influenciadas por uma combinação de carisma pessoal dos candidatos, desempenho governamental e articulações políticas bem-sucedidas.
A trajetória de Mateus Simões nos próximos meses será crucial para determinar se ele conseguirá se consolidar como o sucessor de Zema ou se Minas verá a alternância de poder novamente. A cada nova movimentação eleitoral, a expectativa se intensifica e as articulações políticas ficam mais evidentes, refletindo a complexidade do cenário político mineiro.
