SiloBio: A Nova Fronteira na Higienização de Grãos
A Embrapa Milho e Sorgo, situada em Minas Gerais, apresentou recentemente uma tecnologia inovadora que visa transformar o setor agrícola. O SiloBio, desenvolvido em colaboração com a empresa Nascente (NCT), é um silo biorreator que promete garantir a segurança sanitária dos grãos utilizados na produção de ração animal, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio. Essa solução é voltada para a higienização em larga escala, sendo capaz de eliminar toxinas e resíduos químicos.
O SiloBio combina as funções de armazenamento de um silo tradicional com um ambiente controlado de biorreator, utilizando a ação do gás ozônio. Essa tecnologia se destaca pela sua eficácia na eliminação de micotoxinas, fungos, pragas e outros contaminantes, garantindo uma ração segura e de alta performance. O gás ozônio é conhecido por seu potencial na detoxificação, um processo que já vinha sendo estudado por especialistas e que agora ganha força com a validação de um método eficiente de aplicação em grãos de milho pós-colheita.
Detalhes do Desenvolvimento e Validação da Tecnologia
As pesquisas foram iniciadas entre 2012 e 2013, com foco na redução dos níveis de fumonisinas, uma micotoxina produzida por fungos do gênero Fusarium sp., que afeta especialmente os grãos de milho. O pesquisador Marco Aurélio Pimentel, que lidera o projeto, compartilha que os resultados iniciais foram promissores, com reduções de até 88% nas fumonisinas e de até 96% nos fungos dos gêneros Fusarium e Penicillium. Importante ressaltar que a aplicação do ozônio, mesmo em períodos prolongados, não comprometeu a qualidade dos grãos, mantendo os teores ideais de água, proteínas e outros nutrientes.
Esses resultados são detalhados em um artigo publicado no periódico “Ozone: Science & Engineering”, que documenta a eficácia do ozônio como agente fungicida e detoxificante. O sucesso inicial forneceu a base para o escalonamento da tecnologia em parceria com a Nascente, que busca transformar essa pesquisa em uma solução comercial viável.
Características e Funções do SiloBio
O projeto do SiloBio inclui um biorreator desenvolvido especificamente para os experimentos de escalonamento, que utiliza uma rosca helicoidal para movimentar os grãos internamente. Equipado com anéis injetores de gás ozônio, o SiloBio promove uma aplicação uniforme, crucial para a eficiência do processo. A eficácia é medida pela redução percentual das fumonisinas em comparação aos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de até 5.000 microgramas por quilograma para grãos não processados.
Estudos demonstraram que, ao aplicar ozônio, o SiloBio conseguiu atingir níveis seguros para a indústria de proteína animal e alimentação humana, que frequentemente requerem limites ainda mais rígidos.
Parceria com a Indústria e Sustentabilidade
A entrada da Nascente no projeto foi impulsionada pela demanda de grandes produtores de suínos que buscavam alternativas viáveis para o tratamento de grãos. Segundo Leonardo Tuschi, diretor da Nascente, o contato com os produtores revelou a oportunidade de aplicar o conhecimento em tecnologia de ozônio para criar uma solução prática e escalável, alinhada às necessidades do agronegócio contemporâneo.
A sustentabilidade do SiloBio é um de seus maiores atrativos, pois opera com ar e eletricidade, reduzindo a dependência de produtos químicos tradicionais. O sistema capta o oxigênio do ambiente, transforma-o em ozônio e, após o processo, libera oxigênio puro de volta à natureza, garantindo um ciclo sem resíduos. Essa inovação também tem um impacto positivo na nutrição animal, contribuindo para uma alimentação mais limpa e equilibrada.
Perspectivas Futuras e Impacto no Agronegócio
O uso do ozônio no tratamento de grãos não é uma prática nova, mas o SiloBio fornece uma abordagem inovadora e eficiente. A tecnologia pode ser aplicada a diferentes tipos de grãos, embora inicialmente tenha se concentrado no milho. A meta é expandir para outras culturas à medida que a solução se estabiliza no mercado.
Com um retorno sobre investimento (ROI) estimado em menos de dois anos, o SiloBio promete não apenas melhorar a eficiência econômica dos produtores, mas também atender à demanda crescente por processos sustentáveis. Frederico Botelho, da Embrapa, ressalta que a inovação é fundamental para atender às exigências do mercado e garantir a viabilidade econômica necessária para sua adoção.
A apresentação do SiloBio ocorrerá em comemoração aos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, um marco que simboliza a dedicação da instituição em transformar ciência em soluções reais para o campo, respondendo às demandas por segurança e sustentabilidade no agronegócio.
