Critica à Recomposição Salarial em Minas Gerais
O recente anúncio do governador Romeu Zema sobre a recomposição salarial de 5,4% para os servidores públicos estaduais de Minas Gerais, respaldado pelo secretário Mateus Simões, gerou descontentamento entre as categorias profissionais. Para muitos, essa proposta não representa uma verdadeira valorização do funcionalismo, mas sim um agravamento do arrocho financeiro que afeta a classe trabalhadora responsável pelos serviços essenciais no estado.
De acordo com o governo, o reajuste será aplicável a servidores ativos, inativos e pensionistas, retroativo a 1º de janeiro de 2026, beneficiando cerca de 673 mil vínculos no serviço público estadual. Contudo, o percentual oferecido não é suficiente para recompor as perdas históricas e ignora a dura realidade econômica enfrentada pelos servidores.
A indignação manifestada pelas categorias é, sem dúvida, justificada e respaldada por dados sólidos. Em 2022, a Lei Estadual nº 24.035, sancionada em 4 de abril, aprovou uma revisão geral de 10,06% para os servidores do Executivo, correspondente à inflação do ano de 2021. Desde então, a inflação continuou a corroer o poder de compra, e a soma dos índices do IPCA nesse intervalo já acumula cerca de 12,55%. Diante disso, o percentual de 5,4% se mostra irrisório para cobrir, ao menos, as perdas inflacionárias.
Essa discrepância em relação ao que é oferecido aos servidores em comparação com as crescentes renúncias fiscais concedidas a empresas é alarmante. Estimativas apontam que, ao final dos dois mandatos da atual administração, o montante de renúncias fiscais pode ultrapassar R$ 120 bilhões. Isso levanta questões sobre as prioridades do governo e a real disposição para valorizar aqueles que atuam na linha de frente da administração pública.
Ademais, enquanto o governo justifica a limitação fiscal para evitar uma recomposição salarial adequada, é revelador que houve uma decisão política para aumentar em quase 300% os salários de figuras do alto escalão, incluindo o próprio governador, que viu seus vencimentos saltarem de cerca de R$ 10,5 mil para mais de R$ 37 mil mensais, com previsão de alcançar R$ 41 mil. Essa disparidade acentua a sensação de desvalorização dos servidores que desempenham funções cruciais, como professores, profissionais da saúde e técnicos administrativos.
Para os servidores, a realidade é clara: eles não vivem de campanhas publicitárias ou discursos governamentais, mas dependem de salários justos, condições dignas de trabalho e respeito à sua profissão. É inaceitável que aqueles que garantem a implementação das políticas públicas e o bem-estar da população mineira continuem a ser tratados com descaso, enquanto bilhões de reais são direcionados para benefícios fiscais ou para aumentos salariais do topo da pirâmide do poder.
A reação que se tem visto entre os servidores é tanto justa quanto necessária. A exigência de uma recomposição mínima de 19,5% não deve ser considerada um privilégio, mas sim uma demanda básica: a recuperação das perdas inflacionárias ao longo dos últimos anos.
Minas Gerais precisa honrar seus servidores com ações concretas, e não apenas por meio de discursos vazios. A valorização da classe trabalhadora deve ser refletida na prática, com medidas efetivas que garantam a dignidade e o reconhecimento de quem realmente sustenta as estruturas do Estado.
