O papel das bibliotecas no Poder Judiciário
A abertura do III Encontro Nacional de Bibliotecas do Poder Judiciário (Enabijud) aconteceu nesta quinta-feira (26) em Belo Horizonte, promovido pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O evento, que segue até esta sexta-feira (27), é realizado de forma presencial e também conta com transmissão ao vivo pelo canal oficial da Ejef no YouTube.
Este encontro teve a participação de magistrados e servidores de diferentes estados do Brasil, com foco especial em bibliotecários, que desempenham um papel essencial no Judiciário.
Preservação da Memória Judicial
Na palestra de abertura, Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), enfatizou a importância da preservação da memória no âmbito do Poder Judiciário. Ele afirmou: “Os poderes no Brasil precisam ampliar o conhecimento do seu passado e construir uma política da memória dos seus acervos. Quando vejo o Sistema Judiciário aprofundando essa rede de conhecimento em todo o País, percebo um esforço significativo para que a memória seja frutificada e compartilhada, promovendo uma memória democrática e fortalecendo a República”.
Representando o presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, o superintendente da Memória do Judiciário (Mejud), desembargador Osvaldo Oliveira Araújo Firmo, destacou a importância das ações integradas dentro do Tribunal: “O TJMG está focado em três áreas que buscam solidificar sua atuação: Arquivo, Biblioteca e Memória”, afirmou.
A relevância das bibliotecas para a justiça
O corregedor-geral de Justiça, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho, enfatizou que discutir as bibliotecas do Judiciário está intrinsecamente ligado à “qualidade da prestação judicial, à profundidade das decisões e aos impactos positivos que isso traz para o serviço forense”.
De acordo com ele, “o Enabijud tem a importante missão de reunir bibliotecários e profissionais da informação para debater os desafios contemporâneos, compartilhar boas práticas, incentivar a inovação e refletir sobre o papel das bibliotecas em um cenário marcado por rápidas transformações tecnológicas e informacionais”.
Bibliotecas como protagonistas na era digital
O desembargador Maurício Pinto Ferreira, superintendente-adjunto da Ejef, representando o 2º vice-presidente do TJMG, desembargador Saulo Versiani Penna, destacou que as bibliotecas jurídicas ocupam um papel central não apenas como mero repositório de informações, mas como protagonistas na curadoria da informação e na confiabilidade dos dados jurídicos.
Ele também apresentou os temas em pauta durante o evento, que incluem: gestão estratégica, inovação, preservação digital, inteligência artificial, combate à desinformação, atuação em rede, proteção de dados, novas competências e jurimetria, além da aplicação prática da informação jurídica.
Desafios na qualidade da informação
Marco Lucchesi ressaltou a necessidade de garantir a qualidade das informações, citando o filósofo Byung-Chul Han: “Han discute a enxurrada de informação disponível, mas muitas vezes é uma informação pobre e de qualidade questionável. O verdadeiro desafio é como lidar com informações que realmente importam”.
A bibliotecária do TJMG, Denise Ribeiro Moreira, também comentou sobre a troca de experiências promovida pelo evento: “Estamos estabelecendo uma rede de cooperação muito valiosa. Este momento é excepcional para trocarmos ideias e experiências com bibliotecários de várias regiões, especialmente em tempos de fake news e desinformação. É fundamental que as informações que disponibilizamos sejam sempre checadas em fontes confiáveis”.
