Ubá inicia recuperação econômica após chuvas devastadoras
As chuvas que afetaram Ubá, localizada na Zona da Mata de Minas Gerais, em fevereiro passado, causaram estragos significativos, ainda não totalmente contabilizados. Com uma população de cerca de 107 mil habitantes, a cidade enfrenta um longo caminho para a normalização de suas atividades sociais e econômicas.
Conforme informações da prefeitura, aproximadamente 80% dos negócios de Ubá, cerca de 1.627 empreendimentos, foram impactados pelas chuvas, resultando em um prejuízo estimado em R$ 2,5 bilhões. Além das perdas nos estabelecimentos comerciais, as infraestruturas, incluindo pontes, ruas e estradas, também sofreram danos severos.
Sinais de recuperação econômica
Enquanto isso, a resiliência do povo de Ubá começa a dar frutos. Já existem indícios de uma recuperação econômica que pode levar à revitalização total do município. Em nota, a Prefeitura afirmou: “A cidade ainda passa por um processo de reconstrução econômica, mas já apresenta sinais positivos. Parte significativa do comércio voltou a operar, especialmente na área central, mesmo que muitos empresários ainda estejam lidando com dificuldades para restabelecer estruturas físicas, reabastecer estoques e reorganizar financeiramente seus negócios.”
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A presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) Regional Zona da Mata, Mariângela Marcon, relatou que a maioria das indústrias já retomou suas atividades, embora algumas operem em capacidade reduzida devido à necessidade de reparar máquinas, fazer adequações e recompor o capital de giro.
Medidas para mitigar danos ao comércio e indústria
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá), Elias Ricardo Coelho, anunciou que diversas iniciativas estão sendo elaboradas para amenizar os danos sofridos pelo comércio e pela indústria local. Uma das principais ações é a criação do Fundo de Amparo aos Empresários, Comerciantes e Profissionais Liberais de Ubá (FAECLU), que conta com R$ 3 milhões e oferecerá um auxílio financeiro de R$ 10 mil para os estabelecimentos afetados pelas chuvas. Esse recurso poderá ser utilizado para reformas, aquisição de equipamentos, reposição de mercadorias e capital de giro, beneficiando em torno de 300 empresários.
Além disso, os empresários de Ubá também contam com outras alternativas, como linhas de crédito sem juros através do Fundo Solidário “Abrace Ubá”, bem como a liberação de recursos federais para auxílio na reconstrução e assistência social. O saque-calamidade do FGTS para trabalhadores afetados e o auxílio-reconstrução para as famílias impactadas também são opções disponíveis.
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Elias acrescentou que o fundo será gerido pela própria associação, em colaboração com o Ministério Público e o Sebrae, e contará com um processo digital para facilitar as solicitações e evitar atrasos.
Movimentação no comércio e expectativas para o futuro
O presidente da Aciubá também destacou que o comércio e as indústrias de Ubá estão dando os primeiros passos rumo à normalização. “Estimo que 30% do comércio já voltou a funcionar, mais 30% estão se reestabelecendo, enquanto cerca de 10% ainda não retornaram. Infelizmente, há também cerca de 20% que abandonaram a cidade ou mudaram suas operações”, observou.
Um aspecto animador foi o movimento observado no comércio no sábado que antecedeu o Dia das Mães, que trouxe esperanças de um aquecimento nas vendas. Além disso, foram sacados mais de R$ 60 milhões do Fundo de Garantia na cidade, o que pode indicar que há dinheiro circulando, incentivando os consumidores a gastar.
Desafios a serem superados para uma recuperação plena
Para que a recuperação econômica de Ubá seja acelerada, duas frentes são consideradas essenciais: a melhoria do acesso a linhas de crédito e a agilidade nas obras de reconstrução da infraestrutura. “A situação das obras públicas é preocupante. O centro da cidade, especialmente o Calçadão, ainda não recebeu atenção adequada, e já se passaram quase 90 dias após as chuvas. Isso desanima os comerciantes, pois a falta de infraestrutura afeta diretamente o movimento”, enfatizou Elias.
Enquanto alguns empresários conseguiram obter crédito, outros enfrentaram dificuldades devido à exigência de comprovações financeiras. “Muitos que estavam em situação informal não conseguiram empréstimos e acabaram fechando os negócios. Essa questão precisa ser resolvida para que possamos avançar na recuperação”, finalizou.
