Impacto dos Transtornos de Saúde nos Acidentes de Trânsito
Questões relacionadas à saúde física e emocional dos motoristas, como ausência de reação, sonolência, dificuldade de atenção, transtornos mentais, mal súbito e uso de substâncias, além de problemas oculares e neurológicos, têm sido responsáveis por quase um terço dos acidentes de trânsito registrados em rodovias brasileiras entre 2014 e 2024. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), indicam que essas situações representam 27,8% dos 4.339.762 sinistros ocorridos no período.
A análise, realizada com base nas informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), envolveu 1.206.491 acidentes relacionados a problemas de saúde. O percentual de 49% dos sinistros, equivalente a 2.144.175 ocorrências, é atrelado ao comportamento dos motoristas, incluindo infrações como ultrapassagens em locais proibidos e excesso de velocidade, fatores que, segundo a PRF, estão diretamente ligados ao comportamento humano.
Falhas Técnicas e Condições da Estrada
O levantamento também revelou que problemas técnicos nas rodovias, como geometria inadequada da pista, defeitos no pavimento e falta de sinalização, foram responsáveis por 8% dos acidentes. Além disso, com quase 7%, surgem os sinistros relacionados à conservação dos veículos, abrangendo falhas nos freios, pneus desgastados e problemas na suspensão e nos faróis. Aspectos ambientais, como chuvas intensas, neblina e presença de animais na pista, aparecem como responsáveis por 4% das ocorrências registradas.
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Distribuição Regional dos Acidentes
Ao aprofundar a análise dos acidentes causados por problemas de saúde física e mental, observa-se uma variação considerável entre os estados brasileiros. Em regiões com elevado fluxo de transporte de cargas e viagens longas, os acidentes motivados por estes fatores ultrapassam os 30% do total. Fatores como fadiga, distúrbios do sono e uso de álcool ou outras substâncias psicoativas são frequentemente mencionados nos relatos da PRF.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a taxa de acidentes atribuídos a problemas de saúde alcança 32,1%, enquanto no Pará é de 30,3%. O Rio Grande do Sul e o Piauí também apresentam percentuais significativos, com 30,1% e 30%, respectivamente. Em contraste, 15 estados estão abaixo da média nacional, sendo que o Acre registra exatamente a média do país.
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Números Absolutos dos Sinistros
Em termos absolutos, as rodovias federais de Minas Gerais destacam-se com o maior número de acidentes relacionados a problemas de saúde, totalizando 154.648 ocorrências. O Paraná segue na lista com 134.358 casos, enquanto Santa Catarina registra 120.665, o Rio Grande do Sul 95.059 e São Paulo 84.250. Por outro lado, os estados com o menor número de sinistros incluem o Acre, com 4.219 casos, seguido pelo Amazonas, com 2.896, e Amapá, com 2.681 acidentes.
