Investimento em Tecnologia para Solucionar a Escassez de Mão de Obra
O setor supermercadista de Minas Gerais enfrenta uma situação paradoxal. Apesar de um crescimento de 3,92% no consumo das famílias em 2025, com um faturamento bruto de R$ 135,2 bilhões, a região lida com uma carência de mão de obra, resultando em mais de 5 mil vagas abertas. Esses dados, fornecidos pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), elucidam a crescente adoção de caixas de autoatendimento, uma resposta à necessidade de manter o atendimento ao cliente em meio à falta de funcionários. Somente o Grupo Supernosso investiu R$ 3,5 milhões na implementação da tecnologia nos últimos anos.
Gabriel Junqueira, empresário do setor de automação comercial e proprietário da Avanço Informática, tem contribuído para que diversos supermercados adotem esse sistema. Ele observa que, embora a tecnologia dos self-checkouts não seja uma novidade, a demanda por esses equipamentos tem aumentado consideravelmente. “O principal fator para esse aumento é a escassez de mão de obra. Salários baixos e jornadas de trabalho desgastantes, que incluem fins de semana, dificultam as contratações e forçam os empresários a buscar alternativas”, explica.
Além de promover maior autonomia nas lojas, Junqueira esclarece que a tecnologia não elimina a necessidade do atendimento humano. “É necessário ter um funcionário na área dos self-checkouts para ajudar os clientes com dúvidas. A diferença é que um colaborador pode gerenciar aproximadamente quatro caixas de autoatendimento, enquanto cada caixa tradicional exige um funcionário. Assim, os empresários conseguem otimizar suas operações com menos contratações”, destaca.
Caixas de Autoatendimento: Uma Solução Complementar
Antônio Claret, presidente executivo da Amis, reforça essa perspectiva. Para ele, a presença da tecnologia representa uma adição ao atendimento humano, e não uma substituição. “A tecnologia vem para fortalecer o serviço prestado, não para eliminar o contato humano no varejo”, assegura.
No entanto, a escassez de mão de obra não é o único motor da busca por self-checkouts. Tatiana Ferreira, gerente de marketing do Grupo Supernosso, comenta que essa inovação torna o atendimento mais rápido, especialmente para clientes que realizam compras menores. “O self-checkout torna a experiência de compra mais eficiente, mesmo em lojas com funcionários em quantidade adequada. O processo de pagamento é mais ágil, e os clientes têm suporte quando necessário. No geral, as operações têm corrido bem, e os clientes rapidamente se adaptam à tecnologia”, afirma.
Os números refletem o comprometimento do grupo com a inovação. Nos últimos anos, foram alocados aproximadamente R$ 3,5 milhões para a aquisição de 137 caixas de autoatendimento, resultando em uma média de quatro self-checkouts por unidade, com 32 de suas 36 lojas já utilizando a tecnologia.
Desafios na Implementação de Self-Checkouts
Apesar das vantagens, a implementação de caixas de autoatendimento traz desafios. “Um ponto a considerar é o custo, já que os equipamentos são caros e impactam na instalação da loja”, observa Antônio Claret. Segundo Gabriel Junqueira, os preços de um caixa de autoatendimento variam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
A economista Gabriela Martins, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), aponta que a experiência do cliente deve ser uma prioridade para evitar resultados adversos. “A gestão precisa estar atenta a erros operacionais que possam comprometer a experiência do consumidor. Coletar feedbacks de clientes e realizar ajustes é essencial. Sem essa atenção, a empresa corre o risco de desestimular o uso da tecnologia, sobrecarregando outros caixas e prejudicando a operação”, recomenda.
Desafios no Recrutamento de Funcionários no Setor Supermercadista
A busca por mão de obra qualificada no setor pode se complicar ainda mais em Minas Gerais ao longo deste ano. Para 2026, a Amis projeta a inauguração de 78 novos supermercados e a criação de aproximadamente 8.580 postos de trabalho. “As empresas têm buscado atrair talentos com iniciativas como mutirões de emprego e a oferta de benefícios. Outra estratégia é acolher profissionais mais experientes e aqueles em início de carreira”, diz Antônio Claret.
Um exemplo é o Grupo Supernosso, que lançou um esquema de trabalho 5×2, onde os colaboradores têm cinco dias de trabalho seguidos por dois de descanso, atualmente em fase de teste em três unidades. Contudo, a situação não é exclusiva de Minas Gerais. Um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado em dezembro de 2025, revelou que havia 357 mil vagas em aberto no Brasil.
