Análise sobre os Investimentos em Saneamento em Uberlândia
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Uberlândia afirmou ao G1 que a metodologia aplicada atualmente pelo Trata Brasil não condiz com a realidade do serviço de saneamento oferecido à população. Segundo o Dmae, o enfoque do Trata Brasil prioriza grandes investimentos em infraestrutura e expansão de serviços, o que não se aplica a Uberlândia, onde já existe um sistema consolidado e eficiente. O foco do município está na eficiência operacional e na sustentabilidade econômica e financeira, garantindo assim a qualidade dos serviços prestados. Confira a nota completa no final da reportagem.
Atualmente, Uberlândia está entre as 51 maiores cidades do Brasil que investem menos de 50% do que é considerado ideal para a universalização dos serviços de saneamento, conforme orientação do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). No topo da lista, encontra-se Praia Grande, no litoral de São Paulo, que aloca mais de R$ 572,87 por habitante para investimentos em saneamento.
O Trata Brasil vem divulgando dados sobre os investimentos em saneamento nos municípios desde 2009. O levantamento mais recente, publicado na semana passada, utilizou informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e avaliou diversos indicadores, incluindo abastecimento de água, esgotamento sanitário, tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos por habitante.
A pesquisa revelou que, entre 2020 e 2024, Uberlândia investiu R$ 263,82 milhões em saneamento, o que posiciona a cidade na 48ª colocação entre as que mais investiram no setor nos últimos cinco anos.
No entanto, esse montante representa uma queda de 20,13% em relação ao que foi registrado no estudo anterior, que abrangia os investimentos entre 2019 e 2023, quando foram aplicados R$ 330,31 milhões em saneamento.
O Dmae esclarece, ainda, que a metodologia utilizada pelo Trata Brasil não é um reflexo preciso da qualidade do serviço de saneamento em Uberlândia. O foco do município é a eficiência operacional, um aspecto que pode não ser adequadamente representado em metodologias que priorizam grandes investimentos.
A cidade já conta com uma infraestrutura robusta, com mais de 3.200 km de rede de água e 2.400 km de rede de esgoto. A capacidade hídrica de Uberlândia é suficiente para atender até 3 milhões de pessoas, e, de acordo com dados do Sinisa 2025, os indicadores de saneamento da cidade superam a média nacional. Cerca de 98% da população tem acesso ao abastecimento de água, enquanto a média nacional é de 92,1%. No tratamento de esgoto, a cobertura é de aproximadamente 80%, bem acima da média nacional de cerca de 52%.
Além disso, o índice de perdas na distribuição de água gira em torno de 21%, um número significativamente inferior à média nacional, que está próxima de 40%. Esse resultado evidencia a maior eficiência operacional do sistema de saneamento de Uberlândia.
O Dmae também enfatiza que a qualidade do saneamento deve ser avaliada pelos resultados entregues à população, incluindo a qualidade da água, a regularidade do abastecimento e a segurança hídrica. Uberlândia se destaca como referência nacional, recebendo visitas periódicas de órgãos de saneamento de diversas cidades que buscam conhecimento técnico.
Outro aspecto importante a considerar é que a metodologia adotada pelo Trata Brasil, que antes tinha uma abordagem mais ampla sobre o acesso à água potável, passou a focar em indicadores baseados na população atendida pela rede formal de abastecimento. Essa mudança pode não refletir completamente a realidade de áreas não regularizadas, como assentamentos que são atendidos por soluções alternativas, mas que não estão oficialmente conectados à rede de abastecimento.
