A Arte da Liberdade segundo Miguel Gontijo
Miguel Gontijo, artista plástico nascido em 1949 em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais, é um nome que ressoa com força no cenário da arte contemporânea brasileira. Graduado em História e Filosofia e com pós-graduação em Arte e Contemporaneidade, Gontijo é amplamente reconhecido por suas obras que mergulham nos temas da cultura, da história e da identidade nacional. Sua trajetória inclui participações em exposições de grande prestígio, como a Chromatica, durante a Art Basel Week em Miami, e “Em Nome do Pai”, no Museu Histórico de Pindamonhangaba (SP), além de “A Pedra da Melancolia” em Belo Horizonte. Suas obras estão em acervos públicos e privados nos Estados Unidos, Itália e Brasil.
Recentemente, o artista recebeu o prêmio Mario Pedrosa, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA/SP) em 2010, além da Comenda das Artes em 2025, em uma cerimônia na Câmara Municipal de Belo Horizonte, reconhecendo sua contribuição à arte e à cultura.
A Evolução do Estilo Artístico
Questionado sobre como descreve seu estilo artístico, Gontijo reflete: “Acredito estar incluído dentro da Arte Pop. Com um pé no surrealismo, esse estilo agora é denominado ‘Arte Lowbrow’.” Embora ele reconheça essa categorização, Gontijo afirma que não se preocupa em definir sua arte; o mais importante para ele é a criação.
As influências que moldaram sua trajetória são profundas. O artista revela que Bosch e Bruegel foram suas principais referências nos anos iniciais. “Alimentei-me deles por muito tempo antes de me tornar artista. Depois tentei me livrar dessas influências, mas não consegui”, confessa. Essa relação conflituosa culminou em sua série de desenhos chamada “Desavença”, onde expressa o desejo de libertar-se dessas influências.
A Arte e a Identidade Brasileira
Gontijo explora em suas obras a cultura e a identidade brasileira, mas deixa claro que não carrega bandeiras. “Quero ser livre e respeitar a cultura que me formou. Registro em meus trabalhos o que sou e como fui moldado”, diz ele. Essa liberdade criativa é o fio condutor de seu processo artístico.
O artista acredita que a arte desempenha um papel crucial na sociedade, afirmando que as influências são sutis e demoradas, mas com um impacto profundo. “A arte não é apenas estética; é comunicação, crítica e identidade. Ela fortalece a identidade cultural, ajudando as pessoas a se reconhecerem como parte de um grupo”, afirma. Para Gontijo, os artistas são fundamentais nesse processo, pois transformam a realidade em expressões simbólicas que provocam diálogos sociais.
Experiências Marcantes e Reconhecimento Internacional
Sobre as exposições, Gontijo compartilha que a experiência mais marcante para ele foi o lançamento de seus livros, “Pintura Contaminada” e “Axis Mundi”. Ele revela que esses livros forneceram uma visão unificada de seu trabalho, abrindo novas oportunidades e visibilidade. “Exposições são efêmeras e facilmente esquecidas. O livro intensifica e registra o trabalho ao longo do tempo”, conclui.
Ter seu trabalho reconhecido internacionalmente é um privilégio que Gontijo compara à experiência de um pai que vê seu filho crescer. “É emancipado e chega a lugares que, às vezes, nem o artista visita. Sinto-me orgulhoso ao ver seu percurso”, exprime.
Processo Criativo e Legado
Quando questionado sobre como equilibra criatividade e técnica, Gontijo responde que essa interação é intrínseca à arte. “É um trabalho que demanda aprimoramento contínuo. Precisamos nos reciclar, estar atentos a mudanças e não ter medo de descartar ideias quando necessário”, afirma.
Com uma formação sólida em História e Filosofia, Gontijo enfatiza que essas disciplinas influenciam fortemente sua arte. “A arte não surge do nada. Ela está ligada ao pensamento e ao contexto da época. A História fornece o pano de fundo social e cultural, enquanto a Filosofia oferece questionamentos e visões de mundo”, explica.
Sobre seu processo criativo, Gontijo compartilha que a criação ocorre de maneira orgânica, diante de uma tela em branco. “Sinto que estou sempre em busca de algo indefinido, uma eterna insatisfação que me impulsiona a descobrir novas possibilidades”, revela.
Por fim, ao ser questionado sobre o legado que deseja deixar, Gontijo reflete: “A arte deixa pegadas, nossos registros na Terra. O futuro está além do meu controle. Sou apenas um passageiro que espera que suas pegadas tenham significado.”
