Preocupação com a infiltração do crime na economia
Com uma vasta experiência no setor financeiro, tendo ocupado cargos de liderança em instituições como ABN Amro Real e Santander Brasil, Fábio Barbosa, ex-presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), expressa sua preocupação com o impacto do escândalo do Banco Master nas discussões eleitorais deste ano. Para Barbosa, os temas que mais preocupam a sociedade atualmente são segurança pública e corrupção, a qual ele se refere como roubalheira, um termo que considera mais direto e compreensível.
“A sociedade não está apática. Ela está indignada, revoltada e não sabe bem como se expressar”, afirma Barbosa, que atualmente preside o conselho de administração da Natura e participa de outros conselhos, incluindo o da Ambev.
Recentemente, ele discursou em um evento na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, com o objetivo de apoiar a criação de um código de conduta para o STF (Supremo Tribunal Federal). O movimento, intitulado ‘Ninguém Acima da Lei’, já havia divulgado um manifesto no final do ano passado, em meio ao polêmico pagamento de R$ 3,6 milhões mensais do banco de Daniel Vorcaro para o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes, além de medidas adotadas por Dias Toffoli que comprometeram a reputação do tribunal.
Em suas declarações, Barbosa enfatiza sua preocupação com a crescente infiltração do crime organizado em diversos setores da economia formal, alertando que a sociedade pode se tornar refém de uma administração ineficaz. “Nós aqui somos treinados para jogar um jogo limpo. O crime organizado nos leva para a várzea. E na várzea, a gente não sabe jogar”, ressalta entre outras reflexões.
O cenário eleitoral e a busca por alternativas
Ao ser questionado sobre o que o empresariado espera para as eleições deste ano, Barbosa mencionou que há uma busca generalizada por alternativas, sugerindo que o voto de uma parte significativa da população ainda não está definido e pode mudar dependendo de quem se apresentar como candidato. Ele pontua que, apesar das pesquisas que apontam Lula e Flávio Bolsonaro à frente, o cenário ainda está em aberto.
Barbosa comenta que o surgimento de um candidato do PSD, entre os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO), pode se tornar uma alternativa viável para muitos eleitores. Ele defende que a hora é de apoiar candidatos íntegros, com experiência administrativa e uma visão moderna e liberal, que possam promover o crescimento do país.
Segurança pública e corrupção: temas centrais da eleição
Na análise dos temas que devem dominar a agenda eleitoral, o ex-presidente da Febraban destaca que segurança pública e corrupção são preocupações centrais. “A corrupção precisa ser abordada de forma mais direta. Eu digo que o termo certo é roubalheira. Nem todos entendem a palavra corrupção, e a sociedade está cansada das fraudes que surgem constantemente, tanto no setor público quanto no privado”, explica.
Barbosa antecipa que, apesar de a esquerda abordar questões como democracia e soberania, os temas que mais preocupam a população estão relacionados à segurança pública, uma área onde tanto a esquerda quanto a direita radical têm dificuldades de abordar de forma que seja aceita por todos os setores.
Impacto do caso Master e a busca por transparência
Sobre o escândalo do Banco Master, Barbosa acredita que ele terá um papel significativo nas próximas eleições, afetando pessoas de todos os lados do espectro político. “Eu sou a favor da luz acesa e da transparência. O Banco Master é um horror, mas chegou a um ponto em que as coisas não podem mais ser ocultadas”, afirma. Ele antecipa que o caso não será esquecido e poderá resultar em mudanças, tanto na transparência do Judiciário quanto no mundo político.
Por fim, Barbosa destaca a importância de um código de conduta para os tribunais superiores, ressaltando que a sociedade deve mobilizar-se em busca de transparência e responsabilidade, tanto no Judiciário quanto nas esferas privadas. “Estamos apoiando ministros que desejam um sistema judicial mais transparente, o que certamente trará mais credibilidade”, conclui.
