Mensagens Reveladoras sobre o Ex-Banqueiro
Recentemente, mensagens que vieram à tona na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do INSS revelaram que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tentou comercializar testes de Covid-19 no início da pandemia, em março de 2020. Naquele momento, Vorcaro ainda era um empresário pouco conhecido e sua atuação estava concentrada principalmente no setor imobiliário.
Os diálogos participaram de uma conversa entre Vorcaro e um membro da Casa Civil da Presidência, onde discutiam sobre a importação dos testes. Uma captura de tela, armazenada no celular do ex-banqueiro, mostra o funcionário do governo indagando sobre como poderiam ajudar na transação. Vorcaro, por sua vez, mencionou um “empecilho” decorrente de uma “intervenção” do governo coreano, alegando que a compra estava sendo dificultada, mas que ele estava se esforçando para “fechar com outro fornecedor”.
Naquele ano, o patrimônio declarado de Vorcaro somava R$ 469,7 milhões, conforme registros da Receita Federal, valor que cresceria significativamente, alcançando R$ 2,64 bilhões em 2024. Vale destacar que, em 2019, ele assumiu o controle do Banco Máxima, instituição que, posteriormente, foi renomeada para Banco Master em 2021.
A análise das conversas não permite afirmar se Vorcaro concretizou a compra de testes ou se sua intenção era vender diretamente para o governo de Jair Bolsonaro. Além disso, os diálogos não mencionam empresas específicas ou modelos de testes que estariam em questão.
Reações e Restrições do Mercado
A Folha de S.Paulo investigou com integrantes da Casa Civil e do Ministério da Saúde que estavam envolvidos no comitê de crise durante o governo Bolsonaro. Eles confirmaram que vários empresários se mobilizaram em busca de apoio para importar testes, mas que a maioria das negociações não avançou. Funcionários comentaram que, na época, muitos países, incluindo a Coreia do Sul, impuseram restrições às exportações para garantir o abastecimento interno devido à Covid-19.
Nos primeiros meses da pandemia, o governo focou na distribuição de testes rápidos, que eram obtidos via doações de empresas. O Ministério da Saúde chegou a solicitar ofertas de empresas interessadas em fornecer testes, mas posteriormente cancelou essa compra. Mais adiante, o governo optou por adquirir testes de uma farmacêutica sul-coreana, incluindo o exame RT-PCR, considerado padrão-ouro para diagnóstico.
Contudo, um problema significativo surgiu: o Ministério da Saúde estocou a maior parte dos testes adquiridos por meses. Isso ocorreu porque o governo não havia comprado o kit completo para diagnóstico, resultando na perda de validade de pelo menos 1,2 milhão de testes que permaneceram armazenados.
Problemas Legais e Perspectivas Futuras
Daniel Vorcaro teve sua primeira prisão em 17 de novembro, ao tentar embarcar para o exterior no Aeroporto de Guarulhos. Após dez dias, ele foi liberado, mas foi novamente preso em 4 de março, durante uma nova fase da operação policial chamada Compliance Zero. Atualmente, Vorcaro está em negociação com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para firmar um acordo de delação premiada.
Recentemente, foi informado que ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde se discute os termos dessa delação. Além disso, a CPI do INSS recebeu uma quantidade significativa de documentos de Vorcaro. No entanto, no último dia 16, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, proibiu o acesso a esses documentos relacionados à quebra de sigilo do ex-banqueiro.
