Consumo de Álcool em Belo Horizonte
Belo Horizonte se destaca por ter um consumo de álcool acima da média nacional. A pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que a capital mineira superou outras cidades brasileiras, com 22,4% da população consumindo a substância, enquanto a média nas demais capitais é de 20,8%. O aumento geral no uso do álcool entre as capitais foi de 5,1% ao longo do tempo, conforme os dados coletados.
A pesquisa, intitulada ‘Tendências temporais no consumo abusivo de álcool e suas projeções nas capitais brasileiras’, analisou informações do Vigitel durante 17 anos e incluiu cerca de 800 mil adultos acima de 18 anos. Os resultados mostram uma prevalência maior do consumo abusivo de álcool entre as mulheres e em diversos segmentos etários, exceto nas faixas dos 18 a 24 anos e dos 45 a 54 anos. O estudo também destacou que os níveis de consumo são mais elevados entre indivíduos com 12 anos ou mais de escolaridade e entre os grupos raciais, abrangendo brancos, negros e pardos.
A Prevalência do Consumo entre Mulheres
De acordo com os dados coletados, o consumo de álcool entre as mulheres nas capitais brasileiras subiu de 7,8% em 2006 para 15,2% em 2023. Em Belo Horizonte, esse índice também aumentou, passando de 12,1% para 18%, um crescimento de 5,9%. Isso posiciona a cidade entre as cinco capitais com maior consumo de álcool, atrás de Salvador (21,9%), Porto Alegre (20,7%), Brasília (20,5%) e Florianópolis (18,8%).
A professora da UFMG, que analisou os dados, sugere que esse aumento pode estar relacionado a campanhas de marketing direcionadas ao público feminino e a mudanças nas dinâmicas sociais. “A indústria adaptou suas estratégias de comunicação, focando em mulheres e apresentando drinks diferenciados, que muitas vezes são associados à ideia de autonomia e à entrada delas no mercado de trabalho”, afirmou.
Estabilidade no Consumo entre Homens
Enquanto isso, o consumo entre os homens manteve-se relativamente estável, passando de 25% para 27,3% na média nacional entre 2006 e 2023. Em Belo Horizonte, o aumento foi de 27,1% para 27,7% no mesmo período. As capitais com maior consumo nesse grupo ainda incluem Salvador (37,5%), Maceió (34,2%) e Brasília (31,9%).
Alterações de Consumo entre Faixas Etárias
Com relação à idade, o levantamento demonstrou um crescimento no consumo de álcool em quase todas as faixas etárias, exceto entre os jovens de 18 a 24 anos e os adultos de 45 a 54 anos. No que tange à capital mineira, o aumento foi notado especificamente entre os grupos de 25 a 34 anos e de 55 a 64 anos. “A faixa etária de 18 a 24 anos apresenta um consumo mais baixo, que pode ser atribuído à presença significativa de estudantes, que geralmente têm menos poder aquisitivo e tendem a seguir hábitos mais saudáveis”, explicou a professora.
Educação e Cultura no Consumo de Álcool
A pesquisa aponta que o aumento no consumo também se verifica entre pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade, que passaram de 18,1% para 24%. Esse fenômeno pode estar associado a um estilo de vida mais ativo, a maior exposição a ambientes sociais favoráveis ao consumo e à aceitação crescente do uso de álcool. A professora Deborah destacou a influência de fatores culturais na América Latina que promovem o consumo, especialmente durante festividades.
Desafios e Tendências para o Futuro
Sobre as metas de saúde estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê uma redução do consumo de álcool até 2030, os dados atuais indicam que o Brasil deve atingir 15,5% para a população total, 22,8% para homens e 9,2% para mulheres. Contudo, as tendências atuais indicam que a prevalência pode chegar a 22,2% em 2030. Com esse panorama, Deborah enfatiza a necessidade de ações intersetoriais e educativas para uma abordagem mais eficaz das políticas públicas relacionadas ao álcool.
“O consumo de álcool está diretamente relacionado a diversas doenças e ao aumento do risco de violência e acidentes. Portanto, é crucial priorizar a conscientização e a educação sobre esses riscos. A OMS recomenda ações para regulamentar a publicidade e controlar a venda de bebidas alcoólicas, além de implementar restrições de horário e locais de venda”, concluiu.
A pesquisa foi realizada por um time de especialistas da UFMG, incluindo Crizian Saar Gomes e Regina Tomie Ivata Bernal, além de colaboradores de outras instituições, reforçando a importância da colaboração acadêmica na análise desse tema relevante para a saúde pública.
