Tensão nas Negociações
Neste sábado (11), uma fonte de alto escalão iraniana revelou que os Estados Unidos teriam concordado em descongelar ativos iranianos que estão paralisados em instituições financeiras no Catar e em outros bancos internacionais. No entanto, um porta-voz americano refutou essa informação, levantando dúvidas sobre a veracidade do anúncio.
A mesma fonte iraniana tratou a possível decisão dos EUA como um indício de “seriedade” nas tratativas em curso em Islamabad, Paquistão. Ela afirmou que a liberação dos ativos era uma das condições apresentadas ao governo americano e que, segundo Teerã, os EUA teriam sinalizado uma concordância em relação a essa demanda.
Em um cenário delicado, a fonte, que optou por permanecer anônima devido à natureza sensível das discussões, informou à Reuters que o descongelamento dos fundos estaria diretamente associado à garantia de passagem segura pelo estratégico estreito de Ormuz. Esse ponto, afirmam especialistas, pode ser central nas conversas entre os dois países.
Embora tenha enfatizado a importância da medida, a fonte não divulgou o montante específico dos ativos que supostamente seriam liberados. Entretanto, outra fonte iraniana revelou que os EUA teriam concordado em desbloquear cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 30,1 bilhões) em recursos que estão congelados no Catar.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar ainda não se manifestou sobre o assunto, deixando a expectativa em torno da veracidade dessa negociação.
O Histórico dos Fundos Congelados
Os US$ 6 bilhões mencionados datam de 2018 e foram congelados em resposta a sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã. Inicialmente, esses fundos deveriam ser liberados em 2023 durante uma troca de prisioneiros entre os dois países. No entanto, essa situação se complicou após os ataques de 7 de outubro de 2023, perpetrados pelo Hamas contra Israel, que levaram o governo do ex-presidente Joe Biden a restaurar as restrições sobre o acesso a esses recursos.
Na ocasião, autoridades americanas confirmaram que o Irã estava proibido de acessar os fundos por um período indeterminado, ressaltando que Washington se reservava o direito de manter a conta congelada. Esses ativos são provenientes de vendas de petróleo iraniano a instituições na Coreia do Sul e foram bloqueados em bancos sul-coreanos após a reimposição de sanções por parte de Donald Trump em 2018. Essa ação ocorreu no contexto do fim do acordo nuclear firmado entre potências mundiais e Teerã.
De acordo com informações sobre a troca de prisioneiros ocorrida em setembro de 2023, que contou com a mediação de Doha, os valores foram transferidos para contas no Catar. Essa troca envolveu a libertação de cinco cidadãos americanos detidos no Irã, em troca da liberação dos fundos e da libertação de cinco iranianos que estavam sob custódia nos Estados Unidos.
Na ocasião, o governo americano deixou claro que os recursos estavam destinados exclusivamente a fins humanitários. Eles deveriam ser usados para a aquisição de alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e produtos agrícolas aprovados pelo Tesouro dos EUA, com supervisão rigorosa sobre o seu uso.
