José Guimarães assume a articulação política do governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, anunciou a escolha de José Guimarães, atual líder do governo na Câmara, para assumir o cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Esta pasta desempenha um papel crucial na articulação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
A decisão, confirmada nesta semana, ocorreu após uma consulta ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A nomeação oficial de Guimarães será anunciada na próxima segunda-feira, 13, com a cerimônia de posse marcada para terça-feira, 14.
O cargo estava vago desde a saída da ex-ministra Gleisi Hoffmann, que deixou o posto para se candidatar ao Senado no Paraná. A experiência acumulada por Guimarães na liderança do governo foi um dos fatores que pesaram na sua escolha, considerando seu conhecimento das negociações entre o Planalto e o Congresso, o que, segundo aliados, facilitará a continuidade do trabalho da antecessora.
Alternativas e o perfil ideal
Antes da definição por Guimarães, outros nomes foram cogitados para a posição. O presidente Lula chegou a considerar o secretário-executivo do Conselhão, Olavo Noleto. Contudo, após receber ressalvas de líderes do Congresso em relação a essa escolha, decidiu procurar um articulador com mais experiência. Embora Noleto tenha um histórico em gestões petistas, ele nunca exerceu um mandato eletivo.
De acordo com fontes próximas ao presidente, Lula se sentiu atraído pelo perfil de Noleto, mas determinou que a SRI precisava de um nome com experiência no dia a dia político e com um bom entendimento das dinâmicas de poder no Congresso.
Após essa avaliação, outros nomes como o senador Otto Alencar (PSD-BA) e o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) foram considerados. Ambos têm uma boa relação com o centrão e são leais a Lula, mas Alencar, por motivos de saúde, se mostrou indisponível para assumir a SRI, enquanto Wellington demonstrou interesse em focar em sua atual função, que inclui a gestão do Bolsa Família.
Expectativa em torno da nova liderança
Com a transição de Guimarães para o ministério, o presidente Lula nomeou Paulo Pimenta (RS) como seu sucessor na liderança do governo na Câmara. Pimenta já exerceu a função de ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência e possui um longo histórico político.
Guimarães, deputado federal em seu quinto mandato, é reconhecido por sua proximidade com Hugo Motta e outros líderes do centrão, incluindo o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Em conversas com interlocutores, Motta elogiou a escolha, e líderes do centrão também avaliaram a decisão de forma positiva, considerando Guimarães uma figura estável e confiável.
Outro aspecto que favoreceu a nomeação de Guimarães foi a boa relação que ele mantém com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Essa conexão torna-se ainda mais importante, uma vez que a relação de Alcolumbre com Jaques Wagner, atual líder do governo no Senado, está desgastada.
Uma escolha discutida e embasada
A escolha de Guimarães foi o resultado de semanas de negociações. Inicialmente, o deputado tinha a intenção de concorrer ao Senado pelo Ceará e chegou a apresentar pesquisas que indicavam que sua candidatura poderia beneficiar o PT. No entanto, Lula insistiu na proposta, formalizando o convite na última quinta-feira, 9.
Após isso, Guimarães viajou ao Ceará para conversar com lideranças locais, incluindo o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, que também apoiaram a escolha do novo ministro.
José Guimarães é uma figura influente dentro do PT e já foi cotado para presidir o partido. Sua trajetória política inclui um episódio controverso de 2005, quando um assessor foi preso com uma quantidade significativa de dinheiro no aeroporto de Congonhas, mas o caso foi encerrado pela Justiça Federal em 2021.
