Avaliação do Governo Lula Segundo o Datafolha
De acordo com uma nova pesquisa realizada pelo Datafolha, a avaliação negativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece em 40%. Por outro lado, o índice de aprovação caiu de 32% para 29% em comparação ao levantamento anterior, realizado no início de março. O estudo, que ocorreu entre os dias 7 e 9 deste mês, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Além disso, a pesquisa investigou a opinião do eleitorado sobre a performance de Lula, que ocupa a presidência pela terceira vez. A reprovação do presidente subiu de 49% para 51%, enquanto a aprovação passou de 47% para 45%. Estes resultados indicam uma tendência de queda na popularidade do petista, algo que não se via desde dezembro, quando o clima de otimismo em relação ao governo começou a mudar, após uma fase de boas notícias relacionadas à sua administração e sua aproximação com Donald Trump.
Desafios e Críticas ao Governo
O panorama para o governo Lula se tornou mais complicado à medida que surgem diversos problemas. Um dos mais notórios diz respeito à crise em torno do Banco Master, cujas repercussões afetam a imagem do presidente junto à opinião pública. Tradicionalmente, no presidencialismo brasileiro, crises e desafios se concentram sobre o chefe do Executivo, independente de quem seja o responsável inicial.
Outro fator que pesa contra Lula é sua aliança com o Supremo Tribunal Federal (STF), que, embora tenha sido estratégica para a defesa da democracia e para se opor ao bolsonarismo, agora apresenta desafios adicionais, especialmente com a associação de ministros da Corte ao escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua rede de influência.
Impacto nas Classes Sociais e Questões Econômicas
Entre as variáveis que impactaram na avaliação do governo, destaca-se o recuo significativo na percepção positiva entre a classe média alta, composta por aqueles que recebem entre 5 e 10 salários mínimos. Essa mudança de opinião pode estar ligada ao endividamento crescente das famílias, uma preocupação central do governo neste ano eleitoral. Embora a atenção frequentemente recaía sobre as classes mais baixas, a situação do crédito também afeta outros segmentos da população.
Além disso, a atual situação internacional, exemplificada pela guerra no Irã, que atravessa um cessar-fogo instável, tem pressionado os preços dos combustíveis e pode trazer de volta a inflação ao foco do debate público. Isso, por sua vez, pode levar à manutenção de taxas de juros elevadas, o que complica ainda mais a situação financeira das famílias, especialmente em tempos onde o crédito deveria ser mais acessível.
Perspectivas Eleitorais e Avaliação do Governo
Diante do atual cenário, o governo Lula enfrenta novos desafios, especialmente com o início das campanhas eleitorais, conforme apontado pela própria pesquisa do Datafolha, que já sinaliza uma disputa acirrada. Em termos de segmentos socioeconômicos, há uma equivalência notável entre aqueles que avaliam positivamente o presidente e seu apoio eleitoral. Os grupos que têm uma visão positiva do governo incluem pessoas mais velhas (36%), menos instruídas (43%) e os nordestinos (41%), que tradicionalmente apoiam Lula.
Em contraste, os mais críticos são os cidadãos mais instruídos (49%), os moradores do Sul (49%), os evangélicos (52%) e aqueles que recebem mais de 10 salários mínimos (58%). A taxa de reprovação entre estes grupos é substancialmente mais elevada do que a média nacional.
Importante destacar que, mesmo em um contexto de avaliação negativa, Lula ainda se mostra mais bem posicionado ao comparar sua avaliação atual com a de seu antecessor, Jair Bolsonaro. No mesmo período de seu mandato, Bolsonaro registrava 46% de avaliação negativa, enquanto Lula apresenta números mais favoráveis, apesar das dificuldades atuais. O levantamento do Datafolha está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03770/2026 e entrevistou 2.004 eleitores em 137 cidades.
