Audiência Pública Sob a Perspectiva de Educadores e Alunos
A recente audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) gerou um cenário de apreensão e debate intenso entre educadores e membros da comunidade. A deputada Beatriz Cerqueira (PT) abriu a discussão enfatizando que o encontro surgiu de um “susto” causado pelo anúncio de que algumas escolas estaduais poderiam ser transformadas em unidades do Colégio Tiradentes. Junto ao deputado Betão (PT), Cerqueira liderou a reunião destinada a examinar as implicações da possível extinção de três instituições educacionais que possuem uma trajetória de cerca de cinquenta anos.
O evento ocorreu no Plenarinho II, onde a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia recebeu estudantes e educadores de escolas localizadas em Leopoldina, Muriaé e Coronel Fabriciano. A preocupação da comunidade foi amplamente expressa, especialmente após o anúncio feito pelo governador Romeu Zema (Novo), que levou a um clamor por esclarecimentos.
Descontentamento Entre Educadores e Alunos
Matheus Rossi Paiva, professor e vice-diretor da Escola Sebastião Silva Coutinho, relatou que a administração da escola tomou conhecimento da intenção de transformá-la em uma unidade do Colégio Tiradentes através de um comunicado no site da Secretaria de Estado de Educação (SEE) no dia 1º de abril. “Fomos pegos de surpresa. Não há diálogo nem escuta com a comunidade”, lamentou Paiva, ressaltando a importância da escola, que conta com mais de 200 alunos matriculados e oferece cursos técnicos integrados, além de outras modalidades de ensino. “Nós somos uma escola viva e plural, que ao longo de 50 anos tem ensinado a pensar e a incluir”, defendeu.
A situação gerou reações também na Escola Padre Maximino Benassati, onde a professora Nubia de Souza revelou que a notícia chegou através da mídia local e não por informações oficiais. “Temos 336 alunos que dependem dessa escola, que é um pilar da comunidade, mas vivemos com incertezas agora”, desabafou Nubia, refletindo a angústia de muitos educadores.
A Preocupação de Pais e Comunidade
Os impactos da possível transformação não afetaram apenas alunos e professores, mas também pais que buscam a melhor educação para seus filhos. Jaqueline Bandeira, mãe de um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculado na Escola Alberto Giovannini, expressou sua preocupação com a situação. “Não acho justo apagar uma história de 62 anos. Meu filho chegou em casa chorando e com medo”, disse, questionando como a situação poderia afetar o bem-estar do seu filho e de outros alunos.
A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Sandra Lúcia Couto Bittercourt, também se manifestou, ressaltando que existem outras opções para estabelecer unidades do Colégio Tiradentes sem fechar as escolas já existentes. “Não somos contra as escolas militares, que são essenciais para filhos de bombeiros e policiais, mas não podemos aceitar que nossas instituições sejam fechadas”, pediu.
Distinções Entre Colégios Tiradentes e Escolas Cívico-Militares
Durante a audiência, Beatriz Cerqueira fez uma importante distinção ao afirmar que Colégios Tiradentes e escolas cívico-militares desempenham papéis diferentes dentro do sistema educacional. Segundo a deputada, as carreiras na rede pública e nos colégios militares são reguladas por legislações distintas, o que impede uma transformação simples entre os modelos. “As escolas cívico-militares ainda não estão implantadas em Minas devido a disputas judiciais. A confusão gerada a respeito disso é intencional”, comentou, criticando a disseminação de informações enganosas.
Betão, por sua vez, alertou que Minas Gerais pode ter sua quantidade de Colégios Tiradentes dobrada, passando de 30 para 60 unidades, o que gera temor na população sobre a qualidade e o padrão do ensino. O assessor de Relações Institucionais da SEE, Lucas Nicolau, afirmou que ainda não há um plano definido para a implementação das novas unidades, mas garantiu que os relatos e preocupações levantados na audiência seriam levados em consideração.
Ao final do encontro, Beatriz Cerqueira anunciou que entre as ações a serem tomadas, está uma solicitação formal para que as escolas em questão não sejam convertidas em Colégios Tiradentes e a proposta de agendar uma nova audiência onde o Executivo apresentará o planejamento para a expansão das unidades do Tiradentes.
