Chegada de Materiais e Início das Obras
No final de março, um navio partiu da China rumo a Salvador, na Bahia, trazendo consigo mais de 800 toneladas de equipamentos. A embarcação, que transporta 44 contêineres, tem como destino as primeiras etapas da construção da tão aguardada ponte que conectará a capital baiana à Ilha de Itaparica. Espera-se que a ancoragem ocorra na segunda quinzena de maio, permitindo que as obras tenham início em junho.
Com uma extensão de 12,4 quilômetros, esta ponte será o maior eixo de ligação marítima já erguido na América Latina. A concessionária responsável pelo projeto, formada pelas estatais China Communications Construction Company (CCCC) e China Railway Construction Corporation (CRCC), solicitou recentemente os alvarás necessários para o início das atividades na Baía de Todos-os-Santos. Os documentos foram entregues às prefeituras de Salvador e Vera Cruz, que devem liberar as autorizações em até 30 dias, de acordo com a concessionária.
Tecnologia Chinesa e Impacto Local
O prazo total para a construção da ponte é estimado em cinco anos, com previsão de inauguração em junho de 2031. Após a conclusão, a concessionária irá administrar a estrutura por mais 29 anos, totalizando 35 anos de contrato, que inclui um ano dedicado ao licenciamento.
Os equipamentos que chegam da China serão utilizados para a criação de uma plataforma lateral, uma tecnologia inovadora que ainda não havia sido aplicada na América Latina. Essa plataforma será fixada no fundo do mar e servirá de suporte para as operações de construção, facilitando o transporte de materiais e o trabalho das equipes envolvidas. Carlos Prates, porta-voz da concessionária, afirma que essa solução reduz em 70% a quantidade de embarcações que seriam necessárias para a obra.
Licenças e As Próximas Etapas
A implantação da plataforma já possui as licenças ambientais necessárias e aguarda apenas a aprovação dos alvarás municipais. A construção da ponte em si, no entanto, depende da autorização do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), responsável pela emissão das licenças. No segundo semestre deste ano, estão previstas a chegada de mais oito embarcações da China, que trarão equipamentos específicos para apoiar o projeto, como rebocadores multiuso e navios de cravação de estacas.
Embora os materiais principais da obra sejam produzidos no Brasil, a iniciativa visa a contratação de profissionais locais, gerando cerca de 7.000 postos de trabalho diretos e indiretos na região do projeto. Estima-se que serão utilizados 660 mil metros cúbicos de concreto, o suficiente para erguer 7,5 estádios do Maracanã. Parte da fabricação dos pré-moldados ocorrerá em um estaleiro em Maragogipe.
Impactos Econômicos e Comparações com Outras Estruturas
A operação da ponte também incluirá o pagamento de pedágio, que, segundo Prates, será próximo ao valor atualmente praticado pelos serviços de ferry-boats. Atualmente, um carro pequeno paga R$ 64,70 em dias úteis para a travessia; nos fins de semana e feriados, esse valor sobe para R$ 91,70. A travessia marítima, que leva cerca de uma hora, costuma gerar longas filas para embarque.
Embora a instalação da plataforma represente o marco inicial da construção, a fase mais visível, que é a execução da ponte sobre o mar, deve começar apenas em 2027, com o avanço das intervenções estruturais. O projeto contempla não apenas os 12,4 quilômetros de extensão, mas também 4,4 quilômetros de vias de acesso em Salvador, incluindo túneis, viadutos e a construção de uma via expressa de 22 quilômetros na ilha, além da duplicação de um trecho da BA-001.
O governo da Bahia estima que a obra, orçada em aproximadamente R$ 15 bilhões, terá um impacto econômico significativo, abrangendo cerca de 70% da população baiana, o que corresponde a cerca de 10 milhões de pessoas em 250 municípios.
Atualmente, a ponte Rio-Niterói é considerada a maior da América Latina em extensão total, com 13,29 quilômetros, considerando os acessos em terra. No entanto, os 12,4 quilômetros da nova ponte serão contínuos sobre o mar. Carlos Prates destaca que este projeto simboliza a parceria entre Brasil e China, refletindo o fortalecimento das relações comerciais entre as duas nações.
Durante uma visita à Bahia no ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a lentidão nas obras e celebrou o início da construção, enfatizando a importância da ponte na conexão entre os dois locais.
