Profissionais da Saúde em Ação
Belo Horizonte – No dia 22 de abril, uma mobilização significativa tomou conta da frente da Prefeitura de Belo Horizonte, quando trabalhadores da saúde paralisaram suas atividades para protestar contra os cortes programados no Sistema Único de Saúde (SUS) da capital. Os manifestantes alertam que as restrições orçamentárias afetarão diretamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), resultando em equipes reduzidas e comprometendo a qualidade do atendimento.
Representantes do Sind-Bel, que defende os interesses dos profissionais da saúde de Belo Horizonte, juntamente com o Sind-Saúde, que abrange consórcios intermunicipais de saúde em Minas Gerais, expressaram preocupações sérias sobre as consequências dos cortes. Eles afirmam que essa redução vai sobrecarregar os trabalhadores, aumentar o tempo de espera para atendimento e, em última instância, colocar em risco tanto a saúde dos profissionais quanto da população. Com essa paralisação, os servidores buscam conscientizar a sociedade sobre o impacto que essa medida pode ter na prestação de serviços essenciais.
Após a concentração em frente à Prefeitura, os manifestantes direcionaram-se à Câmara Municipal para participar de uma audiência pública. Durante esse encontro, os profissionais do Samu relataram que, com a nova configuração, as equipes ficarão limitadas a um técnico de enfermagem e um condutor, o que, segundo eles, torna inviável atender de forma adequada à demanda crescente por serviços de emergência.
Atualmente, nas 22 unidades básicas de atendimento do Samu, cada equipe é composta por dois técnicos de enfermagem e um condutor. Contudo, a proposta de reestruturação prevê que cada equipe básica opere apenas com um condutor e um técnico de enfermagem, o que levanta preocupações sobre a eficácia do atendimento.
Posicionamento da Prefeitura de Belo Horizonte
A respeito dos cortes, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) divulgou um comunicado na sexta-feira anterior à manifestação, informando que 34 profissionais foram incorporados temporariamente às equipes do Samu durante a pandemia de Covid-19 e que seus contratos emergenciais vencerão em 1º de maio, sem possibilidade de renovação.
A nota da PBH afirmou que as equipes serão reorganizadas para garantir que o atendimento à população não seja comprometido. “A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) destaca, ainda, que as escalas dos profissionais serão reorganizadas com o objetivo de manter a assistência à população. Além disso, não haverá redução na quantidade de ambulâncias”, diz um trecho do comunicado.
A administração municipal também ressaltou que está seguindo os parâmetros estabelecidos pela Portaria nº 2.028/2002, que já é adotada em diversas outras cidades do Brasil e será implementada em Belo Horizonte.
A situação está gerando um intenso debate entre a população e os profissionais de saúde, que exigem que medidas sejam tomadas para assegurar a qualidade do atendimento médico na cidade. Com o crescimento da demanda por emergências médicas, a redução das equipes levanta preocupações legítimas sobre a capacidade de resposta do Samu em momentos críticos. Os próximos dias serão cruciais para o desdobramento desta situação, à medida que a cidade busca equilibrar a gestão orçamentária e a qualidade dos serviços prestados à população.
