Cidades Coloniais em Destaque
Nesta semana, o Ministério do Turismo apresentou um levantamento que destaca 11 cidades coloniais brasileiras, reconhecidas por sua importância cultural e histórica. Essas localidades, distribuídas em nove estados, fazem parte do Mapa do Turismo Brasileiro e são ricas em patrimônios tombados pela Unesco, circuitos museológicos e rotas ferroviárias. A iniciativa visa fomentar o turismo, atraindo visitantes que buscam não apenas beleza arquitetônica, mas também a vivência de festividades populares.
De acordo com informações do ministério, esses centros históricos atuam como verdadeiros polos da economia criativa, movimentando setores como hospedagem, gastronomia e serviços de guias turísticos. Além disso, muitos desses destinos já foram beneficiados por recursos do programa Conheça o Brasil, que tem como objetivo aprimorar a conectividade aérea e promover rotas culturais diversificadas.
Patrimônio Mundial e Taxas de Visitação
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Entre as 11 cidades elencadas, seis são reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco: Ouro Preto, Olinda, Paraty, São Luís, Salvador e Goiás. Essas cidades se destacam com as maiores taxas de visitação. Por exemplo, dados da prefeitura de Ouro Preto mostram que o município recebe anualmente cerca de 1,3 milhão de turistas, atraídos pelas suas icônicas igrejas barrocas e museus localizados no centro mineiro.
Nas outras cinco cidades mencionadas, as secretarias municipais relatam que a ocupação média durante os feriados prolongados chega a 80%, com picos significativos em festas religiosas e durante o carnaval. A estadia média desses visitantes costuma variar entre duas a quatro noites, de acordo com os dados obtidos.
Características de Cada Destino
Ouro Preto (MG) é famosa pelo ciclo do ouro e abriga o Museu da Inconfidência. Olinda (PE) destaca-se pelo seu vibrante carnaval de rua e seus ateliês de arte. Paraty (RJ) possui um centro histórico litorâneo datado do século XVII, enquanto São Luís (MA) é conhecida por seus azulejos portugueses presentes nas construções do século XVIII. Salvador (BA) é famosa pelo Pelourinho e pelas primeiras igrejas do Brasil, e Goiás (GO) encanta os turistas com a procissão do Fogaréu e a casa da poetisa Cora Coralina.
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Impacto Econômico de Eventos Culturais
O impacto econômico dessas cidades também é evidente em eventos culturais. Em 2023, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) atraiu cerca de 27 mil visitantes, injetando R$ 35 milhões na economia local. Já o tradicional Bumba Meu Boi, realizado em São Luís, mobilizou 14 grupos folclóricos reconhecidos pelo Instituto do patrimônio histórico e Artístico Nacional, e atraiu um público estimado de 120 mil pessoas durante o período junino.
Além disso, um relatório da Belotur revelou que o Trem da Vale, que conecta São João del-Rei a Tiradentes em uma locomotiva a vapor, transportou cerca de 195 mil passageiros no último ano. Em Manaus, a Fundação Teatro Amazonas registrou 271 apresentações abertas ao público em 2023, alcançando uma média de 87% de ocupação na sala principal.
Restaurações e Preservação do Patrimônio
A gestão pública e o setor privado também estão comprometidos com a restauração de patrimônios históricos. A Secretaria de Cultura de Recife estima investir R$ 18 milhões, através de verbas municipais e patrocínio do Porto Digital, na recuperação de fachadas do bairro do Recife Antigo até 2026. Em Alcântara, o governo do Maranhão planeja restaurar 12 sobrados coloniais com um aporte de R$ 9,4 milhões oriundos do Fundo Nacional de Cultura.
Especialistas em conservação vinculados à Universidade Federal de Minas Gerais alertam que a manutenção preventiva de edificações barrocas pode custar, em média, R$ 2 mil por metro quadrado. Essa projeção serve de base para os planos plurianuais de preservação que foram apresentados pelos 11 municípios ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
