Minas Gerais lidera com 2,3 milhões de hectares em florestas plantadas
Minas Gerais é o maior produtor nacional de florestas plantadas, com cerca de 2,3 milhões de hectares, correspondendo a 22% da base brasileira, distribuídos em 94% dos municípios mineiros. Além disso, o estado preserva mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa, área equivalente à de cultivo de café no território estadual.
Apesar desses números expressivos, o setor florestal ainda carece de maior compreensão pública. Fundamental para a descarbonização da economia, o segmento substitui materiais fósseis por fontes renováveis de energia, além de proteger áreas nativas por meio da produção sustentável de madeira em regiões degradadas. Essa atuação estratégica é um dos pilares do projeto Parceiros do Futuro, liderado pelo Diário do Comércio.
Parceiros do Futuro e a visão estratégica para Minas Gerais
Iniciado em 2024, o projeto Parceiros do Futuro surgiu para mapear o futuro desejado para Minas Gerais, com base em entrevistas realizadas com cerca de 40 lideranças de diferentes setores. O objetivo é construir uma realidade pautada no bem comum, alinhando o desenvolvimento econômico com sustentabilidade e inovação.
O setor florestal atende diretamente a três das cinco missões do projeto: posicionar Minas Gerais como hub global de tecnologia e inovação, fomentar a economia verde, circular e a transição energética, além de fortalecer a potência agroindustrial e agropecuária do estado.
Entrevista com Adriana Maugeri, presidente da Amif
Para aprofundar o entendimento sobre o setor, o Diário do Comércio conversou com Adriana Maugeri, presidente da Associação Mineira da indústria florestal (Amif), que em 2026 celebrará 50 anos representando as principais empresas da cadeia de florestas plantadas em Minas Gerais.
A Amif reúne companhias dos segmentos de celulose e papel, siderurgia a carvão vegetal, painéis de madeira, reflorestamento e investimentos florestais. “O setor florestal é uma agroindústria que integra o meio rural e industrial, envolvendo o manejo sustentável de árvores com fins econômicos, abrangendo diferentes espécies e biomas”, explica Maugeri.
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Usos e benefícios das florestas plantadas
Além da produção de carvão vegetal para siderurgia, as florestas plantadas desempenham papel crucial na substituição de materiais fósseis por renováveis. O carvão vegetal, por exemplo, oferece uma fonte de energia renovável com ciclos contínuos, contribuindo para a remoção do carbono da atmosfera.
“As florestas jovens absorvem mais dióxido de carbono, fixando-o no solo e promovendo a saúde do ecossistema local e regional”, destaca Maugeri. Esse processo é vital para mitigar os efeitos climáticos causados pelo excesso de CO2 na atmosfera, reforçando o papel do setor florestal na sustentabilidade ambiental do Brasil.
Competitividade internacional e orgulho mineiro
O Brasil se destaca mundialmente pela produtividade das florestas cultivadas, com ciclos de colheita significativamente menores que os de outros países. O eucalipto, por exemplo, é colhido em seis a sete anos no Brasil, enquanto em outros locais o ciclo pode ultrapassar 70 anos, tornando o investimento inviável.
Minas Gerais é o maior produtor de florestas plantadas do país e busca transformar a percepção sobre o setor para que os mineiros se orgulhem desse legado tanto quanto do café. “O mineiro pode ensinar ao mundo a produzir e conservar ao mesmo tempo”, afirma a presidente da Amif.
Expansão e diversificação da indústria florestal
O estado possui aptidão para receber áreas de floresta em praticamente todo o seu território, com mão de obra qualificada e cadeias produtivas já consolidadas. Isso contribui para aquecer a economia local, reduzindo a dependência de recursos externos e diversificando a matriz econômica.
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Fonte: odiariodorio.com.br
Além disso, há esforços para diversificar as espécies cultivadas e adaptar variedades de eucalipto aos diferentes climas regionais. Desde a década de 1970, Minas Gerais investe em melhoramento genético e desenvolvimento de clones, tornando-se referência em clonagem vegetal.
Indústria florestal na transição energética
Com a crescente necessidade global de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, a biomassa de madeira surge como uma fonte energética cada vez mais relevante para indústrias alimentícia, cimenteira e de energia. A produtividade brasileira permite a expansão da área cultivada em terrenos degradados, praticamente dobrando a produção sem desmatamento.
Segundo a ONU, a demanda por madeira deve dobrar até 2050, posicionando o Brasil como fornecedor estratégico e modelo em práticas sustentáveis.
Desafios e perspectivas para o setor
Apesar dos avanços, o setor florestal enfrenta desafios como a demora no licenciamento ambiental, que já chegou a levar até 10 anos, dificultando investimentos. No entanto, melhorias recentes no governo estadual têm reconhecido o setor como impulsionador da economia verde.
Com 50 anos de história, a Amif aposta em um futuro sustentável feito de madeira, com mais de 5 mil bioprodutos derivados desse recurso. A transição energética reforça o papel da madeira como fonte sustentável para o planeta, consolidando Minas Gerais como protagonista da economia verde.
