Uberlândia no topo da energia solar em Minas Gerais
Uberlândia consolidou-se como um dos principais polos de energia solar no Brasil, ocupando a 8ª posição no ranking Nacional de geração distribuída, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). A cidade é a única representante de Minas Gerais entre as dez primeiras do país e lidera o estado na geração de energia solar.
Com um total de 20.980 sistemas fotovoltaicos instalados, Uberlândia acumula uma potência de 188,8 megawatts (MW). Apesar do bom desempenho, o ritmo de novas instalações tem apresentado queda desde 2022, ano em que houve o maior número de conexões registradas.
Redução nas novas instalações e retomada em 2026
Em 2022, Uberlândia registrou 5.102 novos sistemas fotovoltaicos, número que caiu para 3.311 em 2023, seguido por 2.719 em 2024 e apenas 1.363 em 2025. Até junho de 2026, foram contabilizadas 1.189 novas instalações, sinalizando uma possível recuperação em relação ao ano anterior.
Esse cenário contrasta com o desempenho do estado de Minas Gerais. Após o pico de 88.811 novas conexões em 2022, o estado viu uma diminuição em 2023 e 2024, mas apresentou crescimento em 2025, com 75.706 sistemas instalados. Em 2026, até junho, Minas Gerais já contabilizou 20.367 novas conexões.
Fatores que influenciam o mercado de energia solar
O coordenador estadual da ABSOLAR em Minas Gerais, Bruno Catta Preta, destaca que a posição de Uberlândia no ranking é fruto de um crescimento histórico e do pioneirismo na adoção da energia solar no Brasil. “Uberlândia possui uma base histórica muito forte na geração de energia solar e foi uma pioneira na adoção da tecnologia no Brasil. O município reúne características que favorecem esse desenvolvimento, tem uma forte atividade do agronegócio, um setor industrial diversificado, um comércio forte e uma população que tradicionalmente gosta de investir em inovação e redução de custo”, afirmou.
Entre as cidades que superam Uberlândia no ranking nacional estão as capitais Brasília (DF), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Teresina (PI) e Fortaleza (CE).
Leia também: Minas Gerais: A Energia Solar como Motor Econômico e Sustentável
Leia também: Minas Gerais lidera a transição energética com 14,56 GW em energia solar em 2024
Impacto da legislação e desafios técnicos
A redução nas novas instalações também está relacionada à entrada em vigor da Lei Federal 14.300, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída. A legislação alterou a forma como os consumidores que instalavam sistemas solares compensam a energia excedente enviada para a rede elétrica, introduzindo tarifas graduais pelo uso da rede de distribuição para conexões solicitadas após janeiro de 2023.
Bruno Catta Preta explica que a lei trouxe segurança jurídica ao setor, mas mudou a dinâmica do mercado. “A lei 14.300 foi um marco legal da geração distribuída. A energia solar conectada na rede começou no Brasil em 2012 e não tinha uma legislação específica. A partir dessa lei, ela passou a trazer mais segurança jurídica, mas também a ter algumas regras que não existiam, por exemplo a cobrança da transmissão do excedente de energia pelos fios da concessionária”, detalhou.
Além disso, o CEO da Inovati Energia, Sérgio Humberto, aponta que a concessionária tem negado novas conexões em certas áreas de Uberlândia devido à inversão de fluxo, situação em que a geração de energia supera a capacidade da rede local de absorvê-la. “A concessionária começou a alegar inversão de fluxo, que significa que há mais gente gerando energia do que a consumindo. Com isso, a companhia energética não consegue absorver essa energia e não libera para que as pessoas façam as conexões das usinas solares em sua rede, alegando que compromete o sistema dela”, explicou.
Investimento atrativo e alternativas para consumidores
Apesar dos obstáculos, o investimento em energia solar continua sendo vantajoso financeiramente. Empresas do setor afirmam que o retorno do investimento ocorre geralmente entre dois e três anos, dependendo do perfil de consumo e financiamento.
Carlos, morador de Uberlândia, instalou seu sistema em dezembro de 2021 e compartilha sua experiência: “Eu instalei os painéis solares em dezembro de 2021 e foi um processo muito rápido, em menos de 30 dias eu já estava produzindo energia. Gastei na época R$ 27 mil, eu sei que hoje é bem mais barato, mas valeu cada centavo do meu investimento. Eu gastava em média de R$ 700,00 por mês de energia e agora passou a ser R$ 100,00 que é a taxa mínima mais iluminação pública”.
Leia também: Investimentos em Energia Solar no Brasil Superam R$ 300 Bilhões, Mas Desaceleração Preocupa Setor
Leia também: Minas Gerais Alcanca 14 GW em Geração de Energia Solar: Um Marco Sustentável
Ele ainda destaca que já recuperou o investimento. “Eu já produzi quase 45 megawatts de energia, que nos patamares de hoje daria mais de R$ 50 mil. Então, meu investimento se pagou em três anos e, desde então, tudo que eu produzo é lucro. Não tive nenhum tipo de problema com manutenção, nem nada, uma instalação super tranquila”, afirmou satisfeito.
Energia solar por assinatura: uma solução para quem não pode instalar
Para quem não pode instalar painéis solares no próprio imóvel, o mercado oferece a energia solar por assinatura. Sérgio Humberto explica que esse modelo permite que consumidores utilizem energia produzida em fazendas solares, sem necessidade de obras na residência.
“Essa opção da energia por assinatura é ótima para quem não pode ter a instalação das placas, como quem mora em apartamento, em imóvel alugado, ou até em casa, mas tem prédio do lado que não permite colocar. Então, existem essas fazendas solares, que produzem muita energia e, através da assinatura, você pode se tornar sócio de uma parte dessa fazenda. Exemplo: uma fazenda possui 8 mil placas, você vai e aluga parte dessas placas para receber a energia delas”, detalhou.
Crescimento nacional e liderança de Minas Gerais
O Brasil atingiu, em junho de 2026, 72,2 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar, representando 26,9% de toda a matriz elétrica do país. Minas Gerais lidera a geração distribuída, com 5.912,9 MW instalados.
O estado registrou o maior número de conexões em 2022, com 88.811 sistemas, seguido por uma queda em 2023 e 2024. Em 2025, houve uma recuperação parcial com 75.706 novas instalações e, até junho de 2026, já foram contabilizadas 20.367 conexões.
