Uma paixão que desafia o medo
“Sinto o friozinho na barriga todas as vezes que vou dançar. Nunca passou, mas não é mais medo: é mais uma expectativa de ir fazer o que eu mais amo.” Com 22 anos, a bailarina e professora Sofia Faleiros Garcia resume assim sua relação com a dança, uma prática que acompanha sua vida desde os 3 anos.
Em Uberlândia, a experiência de Sofia reflete a realidade de muitos artistas que lutam diariamente para produzir e viver da cultura. Ronaldo Botelho, artista visual e produtor cultural, destaca os obstáculos para manter espaços culturais alternativos na cidade. “É difícil manter um espaço cultural e underground porque gera muito preconceito”, afirma ele, que também co-gestiona um bar e ateliê cultural no Centro.
A dança como refúgio e expressão
Sofia, graduanda em Educação Física pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), vê na dança muito mais que técnica: ela é um espaço de autenticidade e expressão. “Ser eu mesma de verdade só consigo quando danço, porque mesmo quando quero expressar algo desconfortável e difícil, é o único lugar que sinto espaço suficiente para ser sem medo. A dança dá sentido para a minha vida, me preenche e eu não sei o que eu seria sem ela”, revela.
Recentemente, a bailarina viveu um momento marcante no Festival Internacional de Dança de Goiás. Integrante de um coletivo que reúne dois grupos de Uberlândia (Studio RJ e Cia de Dança Bittencourt), Sofia conquistou o primeiro lugar com uma apresentação inspirada na obra do cantor João Gomes. Ela recorda a experiência como intensa e transformadora, destacando a entrega e a emoção durante a estreia e a premiação.
Para Sofia, a dança tem um papel especial: “É uma das artes mais bonitas, te possibilita falar sem dizer uma só palavra e, se encontrar o lugar certo com as pessoas certas, vai ser o lugar mais seguro do mundo. Não tem tempo certo para dançar. Em qualquer momento a dança te abraça e recebe… é só dar uma chance.”
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
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Fonte: londrinagora.com.br
Ateliê Curva: um espaço coletivo para arte e resistência
No coração de Uberlândia, o Ateliê Curva surge como um ponto de encontro para artistas visuais e produtores culturais. Fundado em maio de 2026 por Ronaldo Botelho (Fly) e seu parceiro Isaac (Joga), o espaço nasceu da necessidade de unir diferentes frentes criativas e fortalecer a cena local.
Ronaldo, que atua na gestão de espaços culturais independentes desde 2014, destaca a importância da colaboração e da troca entre artistas. “Um ambiente coletivo é muito fértil para a arte. As trocas, as pessoas se influenciando, trocando referência, técnicas e materiais. Veio dessa necessidade de conectar pessoas e de ser visto”, explica.
Ele lembra ainda a transformação do Centro de Uberlândia ao longo dos anos, que sofreu com a pressão da fiscalização e o aumento dos aluguéis, afastando a cena cultural que antes era vibrante. Manter um espaço na região, para Ronaldo, é um ato de resistência e uma forma de reocupar um local que já foi símbolo da cultura local.
O Ateliê Curva busca criar uma atmosfera descontraída e criativa, misturando arte e convivência, em um ambiente que valoriza a diversidade e a responsabilidade cultural.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
Construindo uma cena artística autossustentável
Com uma programação que inclui jazz, feiras universitárias e encontros de grafite, o Ateliê Curva aposta na profissionalização da arte local. Ronaldo destaca a necessidade de educar o público para valorizar a produção regional, evitando que a arte seja vista apenas como um hobby.
Entre os próximos eventos, está prevista uma exposição coletiva para 12 de setembro, reunindo 20 artistas de diferentes vertentes, como tatuadores e grafiteiros, que irão pintar suportes em madeira para comercialização.
O produtor cultural reforça a importância do apoio da comunidade para a continuidade dos espaços alternativos. “A mensagem é ter empatia, e se possível consumir arte de quem produz. É difícil manter um espaço cultural e underground porque gera muito preconceito, às vezes a vizinhança implica com estilo mais alternativo, tatuagem”, comenta.
Além do respeito, Ronaldo destaca que o incentivo prático faz a diferença. “Se a pessoa valoriza o que está sendo feito, dá para fazer continuar acontecendo: quem conseguir comprar uma arte vai estar nos ajudando, quem puder colar para dar um suporte, já ajuda muito”, conclui.
