Reajuste salarial e repasse para APAES
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, esclareceu em entrevista ao Jornal Nacional, na Globo, o motivo do reajuste de 300% que sancionou em seu próprio salário. Segundo Zema, todo o valor recebido foi integralmente repassado às APAES (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) no estado. “Eu não recebi nenhum aumento porque sempre fui um governador voluntário. Desde o primeiro dia, em janeiro de 2019, tudo aquilo que eu recebi, eu repassei para as APAES. Mais de 70 a 80 APAES em Minas Gerais receberam essa doação minha”, afirmou.
Cenário salarial no governo de Minas
O ex-governador ressaltou ainda as dificuldades enfrentadas para atrair profissionais para cargos públicos devido aos baixos salários, que, em alguns casos, eram inferiores aos pagos em cidades menores. “Eu fui o único que teve coragem, porque o que acontecia em Minas é que um secretário de educação, cuja pasta tem 200 mil funcionários, recebia menos do que o secretário de educação de uma cidade pequena. Ninguém queria ir trabalhar no governo de Minas. É como se um sargento da Polícia Militar recebesse mais do que um coronel. Ninguém quer ser coronel. Eu fui o único que teve coragem”, explicou.
Compromisso pessoal e comparação com outros estados
Questionado sobre se outros integrantes do governo adotaram postura semelhante, Zema negou e preferiu não se aprofundar. Ele destacou que seu salário estava alinhado à média nacional e que nenhum secretário do estado recebia acima dessa média. “Eu assumi esse compromisso e o levei adiante. Agora eu estava dizendo se nós não tivéssemos um salário que é a média do Brasil. Lembrando que ninguém ficou acima da média do Brasil. Se pegar hoje o salário de um secretário de Minas de Educação, de Cultura etc., é o mesmo e pegar estados vizinhos São Paulo, Rio, Espírito Santo, Paraná, Goiás. Eles ganham praticamente igual, a mesma coisa”, afirmou.
Trajetória política de Romeu Zema
Antes de ingressar na política, Zema atuava no setor varejista, com negócios em eletrodomésticos e concessionárias de veículos, onde esteve à frente da operação de 1991 a 2016, dois anos antes de disputar seu primeiro cargo público. Em 2018, filiou-se ao Partido Novo e concorreu ao governo de Minas Gerais. Inicialmente com baixa intenção de votos, surpreendeu ao alcançar 42,73% no primeiro turno, liderando a disputa. No segundo turno, venceu o candidato Anastasia com mais de 70% dos votos válidos. Em 2022, obteve a reeleição já no primeiro turno, com 56,18% dos votos válidos.
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