Confiança da indústria mineira em queda contínua
A confiança dos empresários da indústria em Minas Gerais teve nova queda em setembro, atingindo o patamar mais baixo em 75 meses. O índice de confiança do Empresário Industrial (Icei), medido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), registrou uma queda de 2,4 pontos em relação a agosto, passando de 45,7 para 43,3 pontos. Esse nível só havia sido observado em junho de 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
Além disso, o índice permanece negativo pelo 22º mês consecutivo, demonstrando uma persistente desconfiança no setor. A queda também marcou um retrocesso na comparação anual, com o índice 0,9 ponto menor que o registrado em setembro de 2025 e 8,7 pontos abaixo da média histórica, que é de 52 pontos.
Perspectivas e condições atuais pioram para empresários
Daniela Muniz, coordenadora de Economia e Finanças Empresariais da Fiemg, destaca que a redução da confiança foi generalizada, afetando tanto a avaliação das condições atuais quanto as expectativas para os próximos seis meses. O Índice de Condições Atuais caiu 2,3 pontos, de 41,4 para 39,1 pontos, indicando que os empresários avaliam negativamente o cenário econômico e a situação de seus negócios.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o indicador também recuou, de 41,2 para 39,1 pontos. Para a economista, isso mostra uma piora na percepção dos industriais sobre o momento presente, que agora enxergam o ambiente econômico e suas operações com mais pessimismo.
As expectativas para o semestre seguinte também se deterioraram, com o índice caindo de 47,9 para 45,5 pontos. Esse é o oitavo mês consecutivo em que esse indicador permanece abaixo de 50 pontos, reforçando a visão negativa sobre o futuro próximo.
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Expectativas negativas em todas as frentes
Um ponto de atenção na pesquisa é a queda das expectativas em todos os componentes avaliados: economia brasileira, economia de Minas Gerais e empresas. Até setembro, as expectativas para as próprias empresas mantinham-se positivas, mas passaram para o campo negativo, reforçando a percepção generalizada de pessimismo.
Essa sequência de 22 meses com o índice abaixo de 50 pontos reflete um longo período de baixa confiança entre os empresários industriais, dificultando o ambiente para investimentos e expansão dos negócios.
Juros ainda altos e política fiscal dificultam recuperação
A queda da confiança acontece mesmo com um cenário de flexibilização gradual da política monetária. A pesquisa foi realizada antes da última redução da taxa Selic para 13,75% ao ano. Apesar disso, as condições financeiras seguem restritivas, pois a taxa básica de juros ainda permanece elevada.
Daniela Muniz explica que os efeitos dessa flexibilização não são imediatos, e há um intervalo entre a decisão do Banco Central e o impacto direto no consumidor e nas empresas. Além disso, a combinação de política monetária contracionista com política fiscal expansionista cria um ambiente complexo, dificultando o controle da inflação e contribuindo para a desaceleração da atividade econômica.
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Incertezas no comércio exterior agravam cenário
No cenário internacional, as relações comerciais com os Estados Unidos geram incertezas para as empresas brasileiras, especialmente para aquelas com forte presença no mercado norte-americano. Medidas tarifárias adotadas pelos EUA já afetam parte das exportações brasileiras, reduzindo o dinamismo do comércio bilateral.
Essa instabilidade nas tarifas não só impacta as vendas externas, mas também prejudica o planejamento das empresas, dificultando decisões estratégicas em um ambiente já fragilizado.
Ambiente desafiador leva a cautela nas decisões empresariais
Com juros ainda altos, moderação na atividade econômica e incertezas no comércio internacional, o ambiente para os empresários industriais mineiros permanece desfavorável. Essa conjuntura leva a uma postura mais cautelosa nas decisões de investimento e operação, refletindo tanto na percepção negativa das condições atuais quanto na expectativa para os próximos meses.
O longo período de baixa confiança reforça o desafio para a recuperação do setor industrial em Minas Gerais, impactando diretamente a geração de emprego, renda e a atividade econômica regional.
