Desafios financeiros e definição do “estado RH”
Alexandre Kalil (PDT), candidato ao governo de Minas Gerais, reafirmou nesta segunda-feira (14/9) sua crítica ao cenário financeiro do estado, ao designar Minas Gerais como “estado RH”. O termo, que vem sendo utilizado por ele durante a campanha, refere-se à realidade de um estado que, por oito anos consecutivos, dedicou sua principal atenção a quitar a folha de pagamento, em meio às restrições impostas pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Kalil relacionou a expressão às limitações econômicas enfrentadas e destacou que, enquanto outros estados investiam em desenvolvimento, Minas permaneceu concentrada no pagamento de dívidas. “Estado RH é aquele estado que por oito anos fez uma grande coisa pro estado, que foi acertar a folha de pagamento. Então, foi o que nós fizemos durante oito anos. Esse é o estado RH.”, afirmou.
Renegociação do Propag e autonomia governamental
Ao ser questionado sobre a possibilidade de quitar o Propag, Kalil confirmou que é viável, embora exija esforço significativo. No entanto, defendeu a renegociação dos termos essenciais do programa, não apenas das taxas de juros. “Nós queremos renegociar a essência do plano. Não estamos falando em taxa de juro, não. Nós queremos é um plano que dê para trazer o desenvolvimento de Minas e a autonomia do governador de escolher onde é que ele vai aplicar o dinheiro.”, explicou.
O candidato reforçou sua crítica às condições atuais do Propag, destacando que o programa, aprovado pelo Senado no fim de 2024 e entregue “envelopado” aos mineiros, limita severamente a capacidade de investimento e a autonomia do governo estadual. Ele apontou que a dívida pública do estado ultrapassa os R$ 200 bilhões, e sem uma renegociação adequada, Minas pode se tornar ingovernável.
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Implicações para investimentos e educação técnica
Kalil citou como exemplo a exigência do Propag para que estados aderentes destinem pelo menos 60% dos recursos da contrapartida de juros exclusivamente para a educação profissional técnica de nível médio, por meio do programa Juros por Educação. Segundo ele, isso restringe o governador a investir em áreas prioritárias, como saúde e infraestrutura.
“O governador de Minas perdeu [com o Propag] autonomia para investir no hospital, para investir em estrada, para investir em qualquer coisa. Está determinado, está envelopado, que aquela miséria que vai sobrar do Propag terá que ser investida em escolas técnicas”, ressaltou.
Críticas às gestões anteriores e necessidade de planejamento
O candidato avaliou que Minas Gerais não suporta mais a sequência dos últimos três governadores, responsabilizando-os pelo abandono do estado nos últimos 12 anos. Kalil destacou a ausência de planejamento e projetos consistentes nesse período.
“O que falta para nós? Ambição, autoridade e sorte. Porque ninguém merece Fernando Pimentel (PT), Romeu Zema (Novo) e Matheus Simões (PSD) em sequência. Isso é azar. Muito azar”, declarou. “Falta planejamento. Minas Gerais está abandonada há mais de oito anos. Não foi feito um projeto, um convênio durante esse período.”, completou.
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Segurança pública em Minas Gerais
Durante o encontro com empresários, Kalil também abordou a situação da segurança pública no estado. Ele criticou o que considera o desmonte da polícia mineira, que já foi reconhecida como uma das mais respeitadas do país.
“Segurança pública é dinheiro. Não precisa criar Ministério. Entrega um saco de dinheiro para cada governador investir exclusivamente na polícia. Polícia é investimento.”, afirmou, ressaltando que a valorização da polícia depende de recursos financeiros adequados.
Kalil também criticou propostas que priorizam soluções tecnológicas, como o uso de câmeras corporais, enquanto deixam de resolver problemas básicos, como falta de gasolina, armas e efetivo policial. “Ah, o senhor vai pôr câmara corporal na polícia? Nós estamos sem gasolina. Nós estamos sem arma. Nós estamos sem policiais. Nós temos a polícia mais mal paga do Brasil. Não existe segredo.”, concluiu.
