Crescimento acima do esperado
A atividade econômica brasileira apresentou um crescimento de 0,6% em fevereiro, superando as projeções de analistas, que esperavam um aumento de apenas 0,47%, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central na última quinta-feira (16). Esse resultado, que corresponde ao IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), é um importante indicador da saúde do PIB (Produto Interno Bruto) do país.
Este é o quinto mês consecutivo de resultados positivos, embora o número de fevereiro represente uma desaceleração em relação à alta de 0,86% registrada em janeiro, que foi revisada após um primeiro registro de 0,8%.
A análise dos dados revela que o crescimento ocorreu antes do início das tensões geopolíticas, especialmente a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro. Esse conflito gerou um aumento nos preços do petróleo e levantou preocupações sobre uma possível inflação, sem sinais claros de uma normalização no estreito de Hormuz, uma importante rota de abastecimento energético.
Impactos da Guerra e Inflação
Os efeitos do conflito já começaram a ser sentidos, como demonstram os dados de março do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que registrou um aumento na inflação de 0,88%, a taxa mais alta observada em aproximadamente um ano. Essa alta foi impulsionada, principalmente, pelos setores de transportes e alimentos.
No último mês, o Banco Central iniciou um ciclo de redução da taxa de juros ao cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,75% ao ano, mas alertou para a necessidade de cautela em futuras decisões devido ao aumento das incertezas geopolíticas.
Setores em Destaque e Desempenho Variável
A abertura dos dados indica que o desempenho industrial foi o principal responsável pelo crescimento de fevereiro, com o setor avançando 1,2% em comparação ao mês anterior. Em contrapartida, as vendas do varejo e o volume de serviços ficaram abaixo das expectativas, registrando ganhos de apenas 0,6% e 0,1%, respectivamente, segundo informações do IBGE.
O IBC-Br mostrou também que o setor de serviços teve um incremento de 0,3% em fevereiro, enquanto a agropecuária cresceu 0,2%. Excluindo a agropecuária, o índice do Banco Central apresentou um aumento de 0,6%.
Leonardo Costa, economista do ASA, avaliou que, sob uma perspectiva qualitativa, o resultado de fevereiro sugere um ritmo moderado para a atividade econômica no primeiro trimestre. Ele destacou que a acomodação nos serviços, que têm maior peso no PIB, é um indicativo relevante, alinhando-se com as expectativas de um desempenho mais fraco em 2026.
Comparação Anual e Expectativas Futuras
Analisando a comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br registrou uma queda de 0,3%. No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, houve um ganho de 1,9%, conforme dados não dessazonalizados.
Embora o resultado mensal seja otimista, Matheus Pizzani, economista do PicPay, aponta que o cenário mais amplo não confirma essa trajetória positiva. Ele adverte que a interpretação dos dados de fevereiro pode ser mais representativa de uma inflexão pontual, necessitando de mais informações para se consolidar como uma tendência duradoura.
A pesquisa Focus mais recente, realizada pelo Banco Central, aponta que a previsão do mercado para o crescimento do PIB em 2026 é de 1,85%, com uma expectativa ligeiramente reduzida para 1,80% em 2027.
O IBC-Br é elaborado a partir de proxies que representam os índices de volume da produção nos setores da agropecuária, indústria e serviços, além de considerar o volume de impostos sobre a produção.
