A Crise Política de Lula com o Congresso
A recente rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado simboliza a complicada relação entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional. Desde que assumiu seu terceiro mandato, há três anos e meio, Lula enfrentou diversos desafios, tentando articular aprovação de projetos, mas frequentemente viu suas solicitações ignoradas tanto pelo Senado quanto pela Câmara.
O PL da Dosimetria e Seus Impactos
Embora o governo tenha conseguido barrar a anistia proposta pela oposição para os condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, não foi capaz de evitar a aprovação do PL da Dosimetria. Esta nova legislação reduz as penas de vândalos envolvidos nos ataques de janeiro, permitindo uma diminuição de até dois terços das punições. Surpreendentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro também se beneficia desta proposta.
Lula vetou a lei, mas corre o risco de enfrentar mais um revés, uma vez que o Congresso deve discutir este veto na quinta-feira (30), com potencial para revogá-lo.
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A Luta pelo IOF
No ano passado, Lula fez uma intensa articulação com lideranças do Congresso, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Davi Alcolumbre (União-AP), para garantir a manutenção de um decreto que aumentava as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). No entanto, a situação virou quando um decreto legislativo que visava anular o aumento foi anunciado, culminando na derrubada do aumento em uma votação expressiva: 383 votos a favor e 98 contra na Câmara.
Desafios com a CPMI do INSS
Outra derrota significativa para o governo foi a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os descontos ilegais do INSS. Diante do crescente apoio por sua criação, o governo tentou assumir o comando da comissão, mas acabou tendo seu candidato, o senador Omar Aziz (PSD-AM), derrotado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG).
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
A oposição celebrou a vitória de Viana, reforçando a dificuldade da base governista em manter influência nas comissões do Congresso.
Restrições nas Saídas Temporárias de Presos
Além disso, o Congresso agiu de forma independente ao restringir as saídas temporárias de presos em datas comemorativas, conhecidas como “saidinhas”. Apesar das tentativas de Lula em vetar a proposta, a medida foi aprovada com expressivos placares: 314 deputados votaram pela derrubada do veto na Câmara e 52 senadores o fizeram no Senado.
Medidas Provisórias em Dificuldade
As dificuldades do governo também se evidenciam na tramitação de medidas provisórias, que têm força de lei e precisam do aval congressual para continuar em vigor. Recentemente, uma MP que alterava regras tributárias e poderia aumentar a arrecadação em até R$ 20 bilhões perdeu validade sem sequer ser votada. Para deixar claro que a proposta estava em risco, os deputados aprovaram um requerimento para que a proposta fosse retirada de pauta antes do prazo de aprovação.
Considerações Finais
A sequência de derrotas e a tensão na relação de Lula com o Congresso são evidências de um cenário político desafiador que o governo enfrenta atualmente. A incapacidade de articular apoio em momentos críticos levanta questões sobre a eficácia da liderança do presidente e a sua habilidade de negociação com um Congresso cada vez mais resistente.
