Desafios do Ensino em Minas Gerais
No dia 14 de abril, a cidade de São Paulo recebeu o Encontro Anual Educação Já!, promovido pela ONG Todos Pela Educação. O evento reuniu líderes políticos, especialistas e representantes da sociedade civil para debater o cenário da educação no Brasil e as novas diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE), que foi sancionado no mesmo dia. Dentre os painelistas, destacou-se Rossieli Soares, secretário de Educação de Minas Gerais, que participou do painel intitulado “Modernização da agenda educacional com equidade: currículo e avaliação”. Em entrevista ao Estado de Minas, Soares compartilhou suas perspectivas sobre as metas e objetivos que o estado deve perseguir na próxima década.
Soares enfatizou que, embora a meta de alcançar 100% de alfabetização no 2º ano da educação básica seja viável, eliminar a taxa de analfabetismo para indivíduos com 15 anos ou mais é um objetivo que, no momento, parece inalcançável. Ele defendeu a criação de um Ministério da Educação Básica, que ficaria responsável pela educação infantil e ensino fundamental, enquanto o ensino superior seria gerido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além disso, falou sobre a necessidade de implementar escolas cívico-militares como uma alternativa para abordar a diversidade educacional em Minas Gerais.
O Cenário Atual da Alfabetização
Durante a conversa, Soares destacou dados da ONG Todos Pela Educação que indicam que Minas Gerais está ligeiramente acima da média nacional em alguns aspectos educacionais. No entanto, ele reconheceu que ainda há um longo caminho a percorrer. “Minas teve um crescimento significativo na alfabetização, alcançando mais de 74% de crianças alfabetizadas. Contudo, ainda temos 26% de crianças que não estão alfabetizadas na idade certa. Apesar do progresso, precisamos continuar avançando”, afirmou.
O secretário reiterou que a educação em Minas deve acompanhar o desenvolvimento econômico do estado. “Não podemos aceitar que Minas Gerais, um estado que lidera em diversas áreas, esteja aquém nas questões educacionais. Precisamos priorizar um aumento na aprendizagem, principalmente no ensino básico e do 6º ao 9º ano”, acrescentou. Soares alertou que sem um foco consistente na aprendizagem, não conseguiremos efetuar mudanças significativas no sistema educacional.
Metas do PNE: Possibilidades e Desafios
Quando questionado sobre as metas do PNE, que incluem a alfabetização total até o segundo ano e a eliminação do analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais, Soares acredita que a primeira meta é plausível. Ele destacou que a alfabetização ocorre nos primeiros anos do ensino fundamental, permitindo que cada governo tenha ciclos suficientes para promover melhorias significativas. Entretanto, ele vê como irrealista a meta de que 80% dos alunos do Ensino Médio estejam em nível adequado em 10 anos, uma vez que atualmente apenas 7% dos estudantes estão nessa faixa.
Soares argumentou que a meta deve ser desafiadora, mas também alcançável. Ele criticou a abordagem do PNE e sugeriu que uma meta mais realista poderia estimular avanços mais efetivos na educação.
Orçamento e Qualidade Educacional
Um dos pontos críticos levantados por Soares foi a distribuição do orçamento destinado à educação. Ele explicou que apenas 20% do orçamento discricionário é direcionado para a educação básica, enquanto o restante é direcionado ao ensino superior ou a repasses obrigatórios. Desses 20%, grande parte é destinada ao Programa Pé de Meia, que visa à permanência dos alunos na escola. Embora esse programa seja essencial, Soares acredita que a prioridade deve ser a qualidade da educação, com um foco maior na aprendizagem.
Ele enfatizou que, para melhorar a qualidade do ensino, é crucial investir na formação dos professores, que precisam de uma formação mais alinhada à realidade das salas de aula. Atualmente, muitos cursos de formação de professores são oferecidos na modalidade EAD, o que limita a experiência prática dos futuros educadores. Soares propôs que, ao invés de focar apenas em programas voltados para a permanência, o governo deveria considerar incentivos para que os alunos de licenciatura vivenciem a prática educacional desde cedo.
Proposta de Criação de um Ministério da Educação Básica
Durante o painel, Soares defendeu a ideia de criar um Ministério da Educação Básica, afirmando que a concentração de responsabilidades em um único ministério pode dificultar o foco necessário nas políticas voltadas para a educação infantil e fundamental. Ele acredita que separar as competências do ensino superior, que poderiam ser geridas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, permitiria um melhor direcionamento dos esforços e recursos para a educação básica.
Assim, Soares espera que essas discussões e propostas possam contribuir para a construção de um futuro educacional mais sólido em Minas Gerais.
