A Disputa pelo Interior de Minas Gerais
Belo Horizonte — A corrida pelo governo de Minas Gerais em 2026 passa pelo interior do estado, onde dos mais de 16 milhões de eleitores, aproximadamente 2 milhões estão na capital. Neste cenário, dois candidatos possíveis, que disputam a preferência do eleitorado de direita, estão voltando suas atenções para as cidades médias e áreas mais carentes do estado.
O atual governador, Mateus Simões (PSD), tem focado sua agenda em municípios fora de Belo Horizonte desde o início de seu mandato. Por outro lado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) destaca sua proximidade com as regiões menos favorecidas, reforçando suas raízes locais.
Embora sejam adversários, Simões e Cleitinho mantêm um diálogo aberto, considerando uma possível aliança no futuro. Entretanto, enquanto essa parceria não se concretiza, ambos buscam atrair a atenção dos eleitores para garantir votos nas próximas eleições.
Agenda de Viagens e Presença no Interior
Assumindo o cargo em 22 de março, Simões já visitou pelo menos 10 cidades em regiões como Zona da Mata, Triângulo Mineiro, Vale do Aço e Sul de Minas. Após sua posse, ele lançou a meta de percorrer Minas por 100 dias consecutivos, priorizando vistoria de obras, inaugurações de unidades de saúde e encontros com lideranças locais, sempre enfatizando um “governo presente”.
Essa movimentação demonstra sua intenção de se estabelecer eleitoralmente. Apesar de ser um dos poucos candidatos a manifestarem abertamente o desejo de concorrer ao governo, Simões ainda apresenta desempenho modesto nas pesquisas de intenção de voto. No entanto, ele acredita que há oportunidades de melhora, especialmente se Cleitinho, que lidera os levantamentos, decidir não se candidatar ao Palácio Tiradentes.
Conexão com as Raízes do Interior
Enquanto isso, Cleitinho adota uma abordagem semelhante, mas com um foco mais explícito em suas raízes. Natural de Divinópolis, no centro-oeste mineiro, ele tem uma trajetória política consolidada fora da capital, tendo atuado como vereador na cidade e com um irmão que ocupou a prefeitura, fortalecendo sua base eleitoral na região.
Nos últimos meses, o senador intensificou sua presença digital, abordando questões que afetam as regiões mais vulneráveis de Minas Gerais. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, Cleitinho declarou sua intenção de estabelecer sedes administrativas no Vale do Jequitinhonha e no Norte de Minas caso seja eleito governador. “Vou trabalhar para todas as regiões, mas quero um holofote no Vale do Jequitinhonha. Preciso cuidar de onde mais precisa. As regiões mais carentes estão ali”, enfatizou.
Em outra oportunidade, Cleitinho expressou sua emoção ao destacar a trajetória política de sua família, ressaltando o trabalho que desenvolveram em Divinópolis. Ele também mencionou que seu irmão, que ocupava a prefeitura, deixou o cargo para se candidatar.
Interior como Caminho para Consolidar Capital Político
Apesar das diferenças em seus estilos, Simões e Cleitinho convergem na estratégia de focar no interior como uma forma de consolidar seu capital político. Para o governador, isso implica em uma presença institucional e na entrega de serviços e obras, seguindo o modelo utilizado por seu antecessor, Romeu Zema (Novo), que também construiu uma base eleitoral robusta fora da região metropolitana de Belo Horizonte. Simões conta ainda com o apoio direto de Zema, que deve concorrer à Presidência da República, o que pode fortalecer sua posição dentro do grupo político.
Por outro lado, Cleitinho aposta em uma comunicação mais direta, utilizando uma linguagem acessível por meio das redes sociais e focando na defesa de regiões que historicamente foram negligenciadas. Essa abordagem tem garantido a ele maior visibilidade e um desempenho inicial mais favorável nas pesquisas.
