Alta no Endividamento em Minas Gerais
Os cidadãos mineiros enfrentam um cenário alarmante de endividamento, como revela um levantamento exclusivo da Serasa Experian. Em março, o estado acumulou mais de 30 milhões de dívidas, englobando parcelamentos com instituições financeiras e outros credores. Este número representa um aumento significativo de 49,4% em relação ao mesmo mês de 2021, totalizando uma soma de R$ 52,65 bilhões em pendências financeiras.
O crescimento das dívidas é acompanhado por um aumento na inadimplência, que chegou a 7,87 milhões de pessoas no mesmo período. Este dado representa um crescimento de 8,7% em comparação a março de 2022, quando a quantidade de inadimplentes era de 7,24 milhões. Esses números refletem uma realidade preocupante que muitos mineiros enfrentam, comprometendo suas rendas atuais e futuras.
A Preocupação com a Renda Futura
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Para Erasmo Vieira, consultor e especialista em inteligência financeira, a questão do endividamento vai além da mera contagem de dívidas. Ele afirma que muitos mineiros têm suas finanças comprometidas, sem clareza sobre suas rendas futuras. “É um dado alarmante, principalmente em um contexto de inflação crescente, que reduz ainda mais o poder de compra das pessoas”, destaca Vieira.
A situação se complica ainda mais com a alta da inflação, que já pressiona os orçamentos familiares. Vieira observa que, atualmente, muitos trabalhadores sentem-se angustiados ao receber seus salários, pois o dinheiro mal entra na conta e já é destinado ao pagamento de dívidas, restando pouco ou nenhum valor para despesas do mês.
Diagnóstico Financeiro é Crucial
Para lidar com essa avalanche de dívidas, Vieira ressalta a importância de fazer um diagnóstico financeiro. “Entender o que se deve, por pior que seja a realidade, é o primeiro passo para enfrentar a situação”, aconselha. O especialista sugere que os mineiros realizem um check-up financeiro para conhecer melhor sua situação e determinar o impacto das dívidas em seu orçamento.
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A Precariedade das Taxas de juros
Outro fator que tem contribuído para o endividamento das famílias é a elevada taxa de juros. A expectativa do mercado é que a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, seja reduzida para 14,5% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o final de 2026, as previsões apontam para uma Selic em torno de 13% ao ano. “Os juros acabam indo para as instituições financeiras, sem circular na economia, o que impacta negativamente toda a cadeia econômica”, explica Vieira.
Os Riscos da Renegociação de Dívidas
O consultor alerta que renegociar dívidas sem planejamento pode ser um erro grave. “Aceitar qualquer proposta de negociação sem ter certeza de que poderá cumpri-la é um grande equívoco. Isso pode gerar uma bola de neve financeira”, destaca. A orientação é clara: quem não pode honrar um novo prazo, não deve renegociar.
Evitar Soluções Rápidas
Além disso, Vieira adverte sobre o perigo de buscar soluções emergenciais, como a contratação de novos empréstimos para quitar dívidas antigas. “Esse tipo de ação apenas mascara a situação atual, pois empréstimo não é a solução para a dívida, e sim uma nova dívida”, conclui o especialista. Portanto, é vital que os mineiros revejam suas estratégias financeiras, buscando alternativas mais sustentáveis para lidar com suas pendências.
