Investigação Enfoca Frigoríficos Americanos e Brasileiros
A JBS e a National Beef, subsidiária da Marfrig nos EUA, estão sob investigação das autoridades americanas, que também analisam a atuação das gigantes Cargill e Tyson Foods. Essa operação foi iniciada a pedido do ex-presidente Donald Trump, que acusou as quatro empresas de manipular os preços da carne bovina através de um conluio ilegal. Dados do governo mostram que a participação desses frigoríficos na compra de gado nos Estados Unidos saltou de um terço para mais de 80% entre as décadas de 80 e 90.
No decorrer da investigação, o Departamento de Justiça revisou mais de 3 milhões de documentos e entrevistou centenas de representantes do setor, incluindo pecuaristas e produtores. A recompensa para quem fornecer informações relevantes pode variar de 15% a 30% do total das multas que ultrapassam a marca de US$ 1 milhão, sendo destinada a possíveis crimes concorrenciais ou fraudes.
Posicionamento das Empresas e Críticas
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Através de um comunicado, a Marfrig declarou que respeita as leis de defesa da concorrência e destacou que, nos Estados Unidos, a National Beef opera em conjunto com aproximadamente 700 produtores locais que detêm cerca de 18% do capital da empresa. Por outro lado, a JBS, que se posiciona como a maior produtora de carne no território americano, não respondeu às solicitações do g1 até a última atualização da reportagem.
Segundo a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, a presença de grandes processadores de carne de propriedade estrangeira apresenta uma ameaça à segurança econômica do país. Ela afirmou que uma empresa brasileira detém cerca de 25% do mercado, associando-a a casos de corrupção e atividades ilícitas, impactando negativamente tanto os pecuaristas independentes quanto os consumidores americanos.
Controvérsias Legais e Tarifa sobre Produtos Brasileiros
Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Pará solicitou a condenação da JBS em, pelo menos, R$ 118 milhões devido a casos de trabalho análogo à escravidão dentro da cadeia produtiva da pecuária. Em resposta, a empresa afirmou que não tinha conhecimento das ações mencionadas. Rollins e Peter Navarro, conselheiro de Trump, criticaram o lobby da carne no Brasil, alegando que ele teria ameaçado o governo americano em retaliação ao aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo uma taxa de 50% sobre a carne.
Desafios na Produção de Carne nos EUA
Os estoques de gado nos Estados Unidos estão em seu nível mais baixo em quase 75 anos, resultado da redução dos rebanhos pelos fazendeiros devido a uma seca prolongada. Essa situação tem elevado os custos de alimentação e restringido ainda mais a oferta, especialmente após a suspensão da maioria das importações de gado mexicano, em função de preocupações com a praga bicheira-do-Novo-Mundo.
Mesmo com a sua força na produção, os EUA ainda necessitam importar carne para atender à crescente demanda dos consumidores. Isso resultou em um aumento nos preços pagos pelos frigoríficos para a aquisição de gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes. Recentemente, a JBS anunciou o fechamento permanente de uma fábrica em Los Angeles, que se dedicava à preparação de carne bovina para o mercado americano. Da mesma forma, a Tyson Foods também decidiu encerrar as atividades de uma unidade em Nebraska, que empregava cerca de 3.200 trabalhadores.
A Reação dos Pecuaristas e os Efeitos das Tarifações
Pecuaristas nos Estados Unidos manifestaram descontentamento com as declarações de Trump, que sugeriram a importação de mais carne bovina da Argentina como uma maneira de reduzir os preços, que já estavam nas alturas. Essa proposta foi encarada como uma ameaça em um cenário de preços elevados do gado e forte demanda por parte dos consumidores. Trump, por sua vez, defendeu suas ações afirmando que a situação econômica favorável aos agricultores se deve às tarifas que impôs sobre a carne brasileira. “Os pecuaristas, que eu amo, não percebem que a única razão de estarem indo bem, pela primeira vez em décadas, é por causa das tarifas que implementei sobre a carne que entra nos EUA”, comentou o ex-presidente em suas redes sociais.
