Nova Atração Cultural em Belo Horizonte
A Funarte MG, localizada no bairro Floresta, está prestes a estabelecer um marco cultural com a construção de uma lona de circo permanente. A expectativa é que a estrutura, que será erguida na área externa do complexo, amplie as opções culturais da região. O processo de licenciamento, atualmente em fase de finalização, está sendo conduzido em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Leonardo Lessa, que recentemente assumiu a presidência da Fundação Nacional de Artes, confirmou a novidade ao Estado de Minas. Lessa, que já ocupa um cargo de destaque na Funarte desde 2023, é um defensor do circo como patrimônio histórico, uma categorização que foi oficializada em março deste ano.
Perfil de Leonardo Lessa e sua Trajetória
Natural de Belo Horizonte, Lessa possui 43 anos e é ator, diretor e cofundador do Grupo Teatro Invertido. Sua trajetória na gestão cultural teve início no Grupo Galpão, onde trabalhou por dois anos na área de planejamento, antes de coordenar o Galpão Cine Horto por um período de oito anos.
Em sua primeira experiência na Funarte, Lessa serviu como diretor do Centro de Artes Cênicas entre 2015 e 2016. Ele também tem um histórico como assessor legislativo, tendo trabalhado para a vereadora Cida Falabella e a deputada federal Áurea Carolina, ambas figuras importantes da política cultural em Minas Gerais.
Agora, com a continuidade de sua gestão na Funarte, Lessa assume em um momento crucial, quando a fundação está em processo de reestruturação, buscando otimizar a execução das políticas culturais brasileiras.
A Funarte e sua Importância Cultural
Recentemente, a Funarte celebrou 50 anos de história e retornou para sua sede tradicional, o Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro. Lessa destacou a importância desse retorno, assim como a conclusão de um concurso público inédito na instituição após uma década. Com a chegada de 28 novos servidores programada para o próximo mês, a expectativa é de que a Funarte ganhe um novo fôlego para suas atividades.
Além disso, neste ano, o Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc) passou a ter uma sede própria, ocupando um casarão na Praça da República. O local abriga atualmente a exposição “Ocupação Grande Otelo”, que apresenta 160 itens do famoso ator mineiro, representando uma parte importante da memória cultural do Brasil.
Políticas Públicas e o Futuro das Artes
Lessa enfatiza que as recentes conquistas da Funarte são resultado de um processo de recuperação institucional iniciado em 2023. Um marco significativo foi a assinatura do decreto que institui a Política Nacional das Artes (PNA) por parte do presidente Lula em março. Essa política busca estruturar as ações do governo no campo das artes, promovendo um alinhamento entre as diferentes esferas da administração pública.
“A PNA é uma resposta às necessidades do setor artístico. Estamos buscando a adesão de estados e municípios para que possamos implementar essa política de forma abrangente em todo o país”, explicou Lessa. Ele destacou ainda que a PNA não apenas orienta a Funarte, mas também outros órgãos do Ministério da Cultura, com o objetivo de criar uma rede colaborativa e integrada.
Desafios no Fomento Cultural
Um dos desafios mais relevantes para a Funarte é o fomento cultural, que é realizado por meio de editais públicos. A fundação gerencia cinco programas: Retomada, Apoio a Ações Continuadas, Difusão Nacional, Conexões Internacionais e Prêmio Mestras e Mestres das Artes. No entanto, a distribuição de recursos muitas vezes gera polêmicas entre os agentes culturais, que reclamam de má alocação e falta de transparência.
“Quanto mais o recurso cresce, maior é a demanda”, observa Lessa, reconhecendo que a distribuição desigual pode descontentar segmentos da cena cultural. Ele defende que a Funarte deve atuar para fomentar iniciativas duradouras, enquanto estados e municípios poderiam se focar em projetos de menor escala.
Iniciativa e Colaboração entre Entes Públicos
O Ministério da Cultura está alocando R$ 3 bilhões para estados e municípios por meio da Lei Aldir Blanc. Lessa destacou a importância de que essa transferência de recursos esteja acompanhada da adoção de políticas e programas adequados. Desde o ano passado, a Funarte tem buscado estabelecer um diálogo com os estados e municípios para que participem do Programa de Apoio a Ações Continuadas, que já financiou mais de 200 iniciativas desde 2023.
Com a adesão de doze estados e sete capitais, incluindo Belo Horizonte, o objetivo é garantir que as iniciativas culturais cheguem à população de forma diversificada e efetiva. “É fundamental que discutamos as atribuições entre diferentes níveis de governo para melhorar a satisfação dos agentes culturais”, conclui.
