Hip Hop como Caminho para Novas Oportunidades
O projeto conhecido como Da Bola Não (DBN-C) surge em Divinópolis com uma proposta inovadora: unir artistas que não se contentam apenas em praticar um hobby, mas que buscam a profissionalização no campo da música, dança e arte. A fundadora Paam Diniz explica que, embora cada integrante já possuísse seus próprios projetos, a DBN proporciona a visibilidade necessária para que todos possam viver de sua arte.
“A ideia é mostrar que é totalmente possível viver da própria arte”, enfatiza Paam, evidenciando a missão do coletivo, que não se limita a batalhas de rap, mas também se expande para oficinas educativas em escolas, levando o hip hop às salas de aula. “Queremos que a nova geração compreenda e se aproprie desta forma de arte”, complementa.
Diversidade e Inclusão no Coletivo
A DBN é composta por uma equipe diversificada, que inclui MCs, dançarinos e até jornalistas que colaboram nas produções e na cobertura da cena. Um dos grupos de dança, por exemplo, é formado por dois jovens trans e um homem cis. “A diversidade é fundamental em nosso trabalho e pretendemos que todos se sintam representados”, afirma Paam.
Jonna: Poesia e Hip Hop em Sintonia
Outra voz que ecoa forte no cenário local é a de Jonna, um artista que começou sua trajetória no hip hop em 2017, período que ele mesmo descreve como marcante para a cena. “Foi o famoso ano lírico do hip hop, e eu estava presente, escrevendo poesias e experimentando freestyle”, conta. Jonna, que sempre foi tímido, encontrou coragem para compartilhar suas criações nas redes sociais e teve uma resposta positiva do público. “Essa aceitação foi extremamente encorajadora”, afirma.
O ponto de virada na carreira de Jonna aconteceu durante sua participação na Batalha da Ilha, um evento de freestyle promovido pela DBN. “Foi a minha primeira experiência no palco. Mesmo não vencendo, foi incrível me entregar completamente ao que faço”, recorda. O apoio de amigos e admiradores foi crucial em sua trajetória. “Saber que alguém acredita em você faz toda a diferença”, comenta.
Gabriel: A Ascensão como Mestre de Cerimônias
Gabriel Vitor Monteiro, de 25 anos, também representa uma história de transformação e sucesso promovida pelo hip hop. Ele começou sua jornada como MC em batalhas de rima e, a partir daí, se aventurou nos slams, competições que destacam a poesia marginal. “Os slams têm uma energia única, e um feedback inesperado de uma professora que se emocionou com minha poesia me mostrou o poder das palavras”, compartilha.
Com o tempo, Gabriel se tornou mestre de cerimônias em eventos, incluindo festas underground na região e até em Belo Horizonte. “Apresentar a festa ‘Lazy Day’ foi uma experiência inesquecível. Ver todos reunidos e saber que eu conduzia aquilo foi um sentimento indescritível”, relembra. Para ele, o sucesso é atribuído ao apoio de figuras importantes como Pamela Diniz e MCza, que têm sido fundamentais em sua jornada.
Uma Revolução Cultural em Divinópolis
A DBN, com seus esforços conjuntos, não está apenas promovendo eventos; está forjando um verdadeiro movimento cultural em Divinópolis. As batalhas de rap e as ações culturais realizadas pelo coletivo fazem parte de uma missão maior: transformar vidas e criar novas oportunidades. “O hip hop não é apenas uma forma de arte, é uma forma de vida. Muitos já saíram de momentos difíceis e encontraram apoio aqui. Como sempre digo: o hip hop salva vidas”, conclui Gabriel Vitor.
