Relevância Histórica e Social da Coluna Prestes
Em uma audiência pública realizada nesta terça-feira (14/3/26), a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) destacou a significativa memória histórica da Coluna Prestes. O encontro, promovido pela Comissão de Cultura, marcou o lançamento do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, que contou com a ilustre presença de Luís Carlos Prestes Filho, descendente do líder do movimento.
Durante a audiência, Prestes Filho fez uma declaração contundente sobre a luta de seu pai: “Meu pai lutou 60 anos pela liberdade do Brasil, e o ódio que a elite brasileira tem é justificado pelo fato de que, ao contrário de figuras como Tiradentes e Zumbi dos Palmares, não conseguiram eliminar Luís Carlos Prestes.” Ele acrescentou que a Coluna Prestes continua a ser um incômodo para muitos, pois não foi derrotada.
O Movimento Tenentista e Suas Conquistas
Entre 1924 e 1927, a Coluna Prestes, um movimento de caráter militar, mobilizou cerca de 1.500 combatentes, conhecidos como “tenentes”, em uma revolução contra o governo do presidente Artur Bernardes e a estrutura oligárquica das elites agrárias de São Paulo e Minas Gerais. Este movimento se opôs à política do “café com leite”, que predominava na época.
Ao longo de dois anos e meio, a Coluna percorreu aproximadamente 25 mil quilômetros, atravessando treze estados brasileiros. Suas principais reivindicações incluíam a implementação do voto secreto, a valorização da educação pública e a garantia do ensino secundário para todos. Luís Carlos Prestes Filho, em sua fala, enfatizou a importância de reconhecer a Coluna como um legado vivo, capaz de instigar reflexões sobre a sociedade contemporânea.
Rota Histórica e Turismo Cultural
O descendente de Prestes compartilhou sua experiência ao refazer o percurso da Coluna em 1995. Ele afirmou: “Meu único objetivo foi fazer com que o Brasil visse a Coluna não como um simples fantasma do passado, mas como um eixo de conhecimento ambiental, cultural e político.” Como parte de sua iniciativa, Luís Carlos idealizou e promoveu a criação de monumentos e memoriais em homenagem à Coluna Prestes, com projetos arquitetônicos desenvolvidos por Oscar Niemeyer, em estados como Rio Grande do Sul e Ceará.
Atualmente, seu desejo é transformar a rota da Coluna em um atrativo turístico, integrando-a à Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, que visa promover o turismo cultural e histórico no Brasil.
Minas Gerais: Um Marco na História da Coluna
A passagem da Coluna Prestes pela região do Alto Rio Pardo, que abrange os municípios de Taiobeiras e Salinas, é considerada um marco do movimento e completa 100 anos em 2026. Levon do Nascimento, professor de história e organizador do livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas”, destacou a relevância desse momento durante a audiência pública. Ele mencionou a célebre manobra do laço húngaro como um exemplo da inteligência estratégica apresentada pela Coluna em sua trajetória.
“Foi em Taiobeiras, na época um distrito de Salinas, que a Coluna não apenas passou, mas também se engajou em diálogos importantes”, enfatizou Nascimento, que espera que essa parte da história se converta em um símbolo de um Brasil mais justo, sem cercas e latifúndios.
A Memória e o Legado da Coluna Prestes
O deputado Leleco Pimentel (PT), coautor do livro e responsável por solicitar a audiência pública, lamentou que a história do movimento tenentista tenha sido frequentemente ofuscada. “A Coluna Prestes e o tenentismo foram apagados para que a população não soubesse quem realmente construiu a história do Brasil”, destacou o parlamentar. Ele também mencionou que, posteriormente, Luís Carlos Prestes se identificou como comunista, o que pode ter contribuído para esse apagamento histórico.
Pimentel anunciou a proposta de um projeto de lei para instituir um Dia Estadual em Memória da Coluna Prestes, a ser celebrado em 26 de abril, data que marca a chegada do movimento em Taiobeiras.
O deputado Adalclever Lopes (PSD) também se pronunciou, expressando sua satisfação com a realização da audiência pública. “Estou certo de que esta reunião histórica ficará registrada nos anais desta Casa, garantindo que as futuras gerações não esqueçam esses importantes eventos”, afirmou.
Resgatando a Memória Coletiva
O livro “A Coluna Prestes pelos Gerais de Minas” reúne textos de diversos autores que possuem uma conexão com o movimento tenentista, conhecido pela população como “o tempo dos revoltosos”. Levon do Nascimento descreve a obra como resultado de um esforço coletivo, que busca fazer a ponte entre a memória histórica e a academia, ligando o Brasil profundo ao Brasil institucional.
Maria de Fátima Magalhães Mariani, coautora do livro e professora na Bahia, compartilhou suas memórias relacionadas à Coluna, lembrando que a história muitas vezes é omitida. “Aquilo que não interessa à ordem é apagado”, comentou Mariani, referindo-se à falta de ênfase no tema nos currículos escolares.
Mônica Rodrigues Teixeira, também coautora e professora, recordou as histórias sobre os revoltosos que ouviu durante a infância, ressaltando que as pautas defendidas pela Coluna Prestes permanecem atuais e necessárias nos dias de hoje.
