Obra traz Reflexões sobre Educação e Cultura
No dia 30 de abril, quinta-feira, Belo Horizonte será palco do lançamento do livro “Arte e Educação em Movimento: Antes, Durante e Depois de Oriará”. Este livro reúne reflexões, experiências e metodologias provenientes do projeto itinerante Oriará, uma iniciativa de arte e educação que percorreu dez cidades de Minas Gerais em 2025. O evento, promovido pelo Programa Educativo do Memorial Minas Gerais Vale, ocorrerá às 17h na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, localizada na Praça da Liberdade. Este lançamento representa não apenas um marco na trajetória do projeto, mas também a valorização de saberes ancestrais através da escuta dos territórios e da construção coletiva na educação museal.
A publicação surge em um cenário de transformação institucional, evidenciado pelo fechamento temporário do museu, que motivou a equipe educativa a reimaginar suas práticas e expandir sua atuação para além das paredes físicas da instituição. Neste contexto, a itinerância tornou-se um espaço de experimentação e aprendizado compartilhado, onde saberes afro-brasileiros e indígenas foram incorporados às práticas pedagógicas, respaldadas por referências de diversidade, território e ancestralidade. O livro, ricamente ilustrado, documenta essa trajetória ao compilar textos de educadores e educadoras que discutem temas como memória, antirracismo, acessibilidade e mediação cultural. Isso solidifica o trabalho do programa educativo como um registro sensível e político de mais de dez anos de atuação.
Evento Promove Encontro entre Educadores e Comunidade
O lançamento, que é aberto ao público e gratuito, terá a retirada de ingressos 30 minutos antes do início, respeitando a capacidade do espaço. Wagner Tameirão, gestor do Memorial Vale, destaca que “mais do que o lançamento de um livro, a iniciativa se apresenta como um espaço de encontro entre educadores, pesquisadores, artistas e a comunidade, reafirmando a mediação cultural como uma prática coletiva, política e transformadora”. A obra, ao documentar os caminhos percorridos pelo projeto Oriará, se estabelece como um marco na história do Memorial Minas Gerais Vale, demonstrando um museu comprometido com a escuta dos territórios e a construção de futuros possíveis por meio da educação e da cultura.
A programação do evento começará com uma palestra inaugural às 17h, intitulada “Como ser um educador antirracista”, ministrada por Bárbara Carine, professora e escritora reconhecida nacionalmente por sua contribuição no debate sobre educação antirracista. Durante sua conferência, Carine analisará o racismo estrutural e suas manifestações na sociedade, propondo caminhos de enfrentamento por meio da educação.
Após a palestra, às 19h, ocorrerá uma roda de conversa marcada pelo lançamento oficial do livro. O diálogo contará com a participação de Valquíria Prates, curadora e mediadora cultural, Viviane Maia, representante da Diretoria de Políticas Afirmativas da Secretaria de Educação, e os autores Liliane Moreira, Mell Santos e Maicon Cruz, que compartilharão diferentes perspectivas sobre os processos curatoriais, educativos e territoriais que fundamentam tanto a exposição quanto o livro. A mediação será realizada por Pompea Tavares, coordenadora do Programa Educativo e organizadora da publicação, que buscará conectar as experiências narradas com os atuais desafios da educação museal.
Sobre o Memorial Minas Gerais Vale
O Memorial Minas Gerais Vale, uma das instituições culturais que compõem o Instituto Cultural Vale, está inserido no complexo cultural Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Desde sua inauguração em 2010 até 2025, o espaço já recebeu mais de 1,7 milhão de visitantes e promoveu mais de 3 mil eventos, além de 180 exposições. Essa trajetória inclui o atendimento a quase 9 mil escolas e grupos, com aproximadamente 240 mil pessoas participando de visitas mediadas.
Atualmente, o espaço físico está passando por um processo de renovação, que visa adotar uma nova estratégia de ocupação museográfica e infraestrutura. A nova exposição permanente, concebida em colaboração, trará uma curadoria de Isa Ferraz e Marcelo Macca, e promete uma mistura inovadora de obras de arte, objetos históricos e produções audiovisuais especialmente criadas para o museu. O objetivo é promover um diálogo dinâmico entre passado, presente e futuro, colocando o visitante como protagonista dessa experiência.
