Concentração da riqueza em Minas Gerais
Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023, revelando dados impressionantes sobre a economia de Minas Gerais. O estado alcançou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 972 bilhões em 2023, o que representa 8,9% do PIB nacional, consolidando sua posição como a terceira maior economia do Brasil. No entanto, o que realmente chama a atenção é que apenas 25 das 853 cidades mineiras concentram 53,8% dessa riqueza.
A marca histórica de R$ 1 trilhão em PIB foi alcançada ao considerar duas medições. Enquanto o IBGE aponta o valor de R$ 972 bilhões, a Fundação João Pinheiro (FJP) estima que o PIB estadual chegue a R$ 1,028 trilhão. Essa discrepância decorre das diferentes metodologias e prazos utilizados para a divulgação dos dados. Mesmo assim, ambos os órgãos confirmam a manutenção de Minas Gerais como a terceira maior potência econômica do país, atrás de São Paulo (31,5%) e do Rio de Janeiro (10,7%). O crescimento em relação ao ano anterior foi de 3,4%, superando a média nacional, ao mesmo tempo que a participação de Minas no PIB brasileiro diminuiu em 0,1 ponto percentual, um reflexo da queda nos preços internacionais do minério de ferro.
A Geografia da Riqueza
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Mas o que justifica essa concentração inusitada de riquezas em apenas 25 cidades? A resposta está intimamente ligada à geografia industrial e administrativa do estado. Belo Horizonte, por exemplo, sozinha contribui com 13,4% do PIB de Minas, totalizando R$ 130,2 bilhões. As cinco cidades que mais se destacam na economia mineira, incluindo Betim (5,4%), Uberlândia (5,3%), Contagem (4,6%) e Uberaba (2,4%), somam 31,1% do PIB total, representando quase um terço da riqueza do estado. É interessante notar que três dessas cidades estão localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Além disso, Minas Gerais é um dos únicos estados, ao lado de São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem mais de uma cidade entre as 25 maiores economias do Brasil. Belo Horizonte ocupa a 5ª posição no ranking nacional, enquanto Betim fez sua estreia no 25º lugar, superando Itajaí, em Santa Catarina. O IBGE também destaca que a capital mineira foi o 5º município com maior ganho de participação no PIB nacional.
Maiores PIBs per Capita em Minas
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Fonte: bh24.com.br
Quando analisamos o PIB per capita, a situação muda consideravelmente. A cidade de Extrema, localizada no Sul de Minas, destaca-se ao ocupar o 10º lugar entre os maiores PIBs per capita do Brasil, impulsionada pela sólida presença da indústria de transformação e do comércio. Com uma população de pouco mais de 53 mil habitantes, segundo o Censo de 2022, Extrema se mostra como um exemplo da riqueza concentrada em pequenos municípios. Além dela, outras sete cidades mineiras figuram na lista dos 100 maiores PIBs per capita do país, todas com menos de 13 mil habitantes, exceto Extrema. Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, Betim, Nova Lima e Pouso Alegre se destacam com PIB per capita de R$ 127.752,42, R$ 111.440,33 e R$ 93.295,79, respectivamente. Em termos médios, o PIB per capita de Minas foi de R$ 47.321, inferior à média nacional de R$ 53.886.
Regionalização da Riqueza em Minas
A análise regional do estado revela um quadro desigual. Enquanto a Região Metropolitana de Belo Horizonte e o Sul de Minas se destacam com os melhores indicadores, a mesorregião Norte de Minas apresenta os menores PIBs per capita. Montes Claros, cidade do Norte mineiro, é a única entre as 25 maiores economias do estado, ocupando a 11ª posição.
Além disso, entre os 25 municípios brasileiros que mais perderam participação no PIB nacional entre 2022 e 2023, três são de Minas: Ipatinga, Uberaba e Guaxupé, todos impactados pela queda nos preços do minério de ferro, que afetou severamente as cidades dependentes da indústria extrativa, especialmente no Vale do Aço.
Vislumbres do Futuro Econômico
Os dados apresentados revelam que Minas Gerais, ao cruzar a marca de R$ 1 trilhão, mantém-se como uma força econômica significativa, mas também expõe um padrão de concentração preocupante que afeta a maioria dos municípios do estado. A riqueza de Minas é gerada em grande parte por apenas 5% de suas cidades, e sua economia continua fortemente atrelada à mineração, à indústria automotiva e aos serviços metropolitanos. Assim, é fundamental acompanhar as próximas edições do PIB dos Municípios, que trarão novas perspectivas sobre como a economia mineira se adapta em um cenário de mudanças nas commodities e no crescimento de cidades fora do eixo metropolitano.
