Setores que Impulsionam a Recuperação
No início de 2026, Minas Gerais viu um crescimento significativo nas contratações, com destaque para os setores de calçados, alimentos e vestuário. Dados recentes obtidos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que a indústria local gerou mais de 9 mil vagas em janeiro. Dessas, a cadeia de calçados sozinha respondeu por 1,1 mil novas oportunidades, sendo seguida pelo complexo de alimentos e bebidas, que também contribuiu com mais de mil postos. A confecção e vestuário, por sua vez, adicionaram cerca de 770 vagas, evidenciando a força desses segmentos na recuperação do emprego.
Esse desempenho é especialmente significativo quando analisamos o panorama do mês anterior, onde 17 mil vagas foram encerradas. Assim, o saldo positivo de 7.425 vagas em janeiro representa um avanço de 83,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora a construção civil tenha contribuído com 4.243 postos, os setores de comércio e serviços vivenciaram retrações, com perda de 5.741 e 606 vagas, respectivamente. Em âmbito nacional, o saldo de empregos alcançou 112.334, ajudando a compensar as perdas significativas de dezembro.
Desempenho Regional e Indústria em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, o cenário foi um pouco mais complicado. O saldo geral foi negativo, com uma perda de 490 vagas, embora isso represente uma melhora em relação ao fechamento de 12.555 vagas em dezembro. A indústria na capital, no entanto, conseguiu um saldo positivo de 856 vagas, superando as 834 perdas do mês anterior e as 324 demissões registradas em janeiro de 2025, o que mostra uma resiliência do setor em meio a dificuldades.
A recuperação da indústria em Minas Gerais é impulsionada por segmentos consolidados. Na cadeia calçadista, por exemplo, a fabricação de tênis foi responsável por 275 novas vagas, enquanto outros segmentos, como calçados de couro e materiais diversos, também contribuíram significativamente. O complexo de alimentos e bebidas se destacou em várias atividades, como o abate de aves e a fabricação de açúcar, totalizando mais de mil postos de trabalho criados.
O Papel dos Jovens na Geração de Novos Empregos
Um aspecto interessante deste crescimento é a forte concentração de novas vagas entre os jovens de até 24 anos. De acordo com a Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o saldo de 14.960 vagas para essa faixa etária foi superior ao total de 7,4 mil postos criados no estado. A capital, Belo Horizonte, também seguiu essa tendência, com 2.003 vagas ocupadas por jovens, enquanto outras faixas etárias enfrentaram perdas.
A economista Cibele Santiago, da Fiemg, comentou sobre a importância desse fenômeno. Segundo ela, a recuperação do mercado formal para os jovens é notável, especialmente no início do ano, quando as empresas reestruturam seus quadros de funcionários. No entanto, Cibele alertou que essa faixa etária tende a ter maior rotatividade devido à natureza das ocupações e à duração dos vínculos empregatícios.
“Acompanhar a evolução das contratações nos próximos meses será fundamental para avaliar não apenas a quantidade, mas a qualidade das vagas oferecidas”, afirmou.
Expectativas Futuras e Desafios Econômicos
A análise da Fiemg destaca o papel crítico da indústria na sustentação do emprego formal em Minas Gerais, mas também levanta preocupações sobre a sustentabilidade dessa recuperação. Cibele Santiago ressaltou que, apesar dos dados positivos, é muito cedo para afirmar que a retomada é consistente.
