O Impacto da Queda nas Exportações
No primeiro bimestre de 2024, o Brasil embarcou 59,4 mil veículos para o exterior, uma queda significativa de 28% em relação ao mesmo período de 2025, quando o número alcançou 82,4 mil unidades. Embora a situação fosse preocupante, a demanda inesperada do México para veículos brasileiros ajudou a amenizar as perdas. Em fevereiro, as exportações para o mercado mexicano dispararam de 2,2 mil para 9,1 mil unidades, um aumento notável.
Por outro lado, as exportações para a Argentina, que tradicionalmente é um dos principais destinos para veículos brasileiros, também apresentaram resultados negativos. Entre janeiro e fevereiro, as vendas ao país vizinho caíram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, uma redução de 7,5%. O peso da Argentina é significativo, uma vez que, em 2025, 59% das exportações de veículos brasileiros foram destinadas a esse mercado, o que representa 302 mil dos 528 mil veículos exportados.
Queda Geral nas Importações Argentinas
Dados da consultoria argentina Abeceb indicam que as importações de produtos brasileiros estão em declínio, especialmente no setor automotivo. Em fevereiro de 2024, as importações argentinas do Brasil totalizaram US$ 1,057 bilhão, uma queda de 26,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo esta a maior retração desde julho de 2024.
A avaliação da consultoria sugere que esse resultado negativo é reflexo da redução das importações automotivas, que representaram uma diminuição de US$ 284 milhões em fevereiro, correspondendo a 74% da queda geral. O segmento de caminhões registrou a maior retração, com 64,3% a menos em comparação a fevereiro de 2025, seguido por uma redução de 51,4% nas vendas de comerciais leves. As importações de automóveis recuaram 43,6%, enquanto peças e acessórios tiveram uma queda de 30,9%.
Consequências para a Produção Brasileira
A redução nas exportações teve um efeito direto na produção das fábricas brasileiras. No primeiro bimestre de 2024, o Brasil produziu 338 mil veículos, o que representa uma queda de 8,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mercado interno, o desempenho foi ligeiramente melhor: foram vendidas 355,7 mil unidades nos primeiros dois meses do ano, uma leve diminuição de 0,1% em comparação ao ano anterior. Contudo, a presença crescente de produtos importados, especialmente de marcas chinesas, continua a ser um desafio para as montadoras nacionais.
Desafios no Setor de Caminhões
Os resultados fracos nas vendas de caminhões demonstram que o programa Move Brasil, que oferece taxas de juros reduzidas com subsídios do BNDES, não teve o impacto esperado. No primeiro bimestre, as vendas de veículos de carga caíram 28,7%, e a produção caiu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, a instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio também impacta as decisões de compras dos transportadores, afetando o fornecimento de petróleo e pressionando os preços do diesel e do frete.
